sexta-feira, 18 de setembro de 2026.
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Jornalistas repudiam ofício da Procuradoria Eleitoral no Amazonas

Manaus, AM — O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR/AM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) divulgaram nota de repúdio nesta sexta-feira, 18, contra o Ofício nº 174/2026/PRE/AM, emitido pela Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas. O documento solicita informações e esclarecimentos ao portal Redação Amazônia e a outros veículos sobre reportagens ligadas à campanha eleitoral no estado.

A requisição tem origem em questionamento da assessoria jurídica da candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo (PL). As matérias tratavam da relação dela com o traficante conhecido como RC Soares, preso pela Polícia Civil com mais de duas toneladas de drogas.

Segundo a própria polícia, material de campanha da candidata foi encontrado no local da prisão. Jornalistas também identificaram, em redes sociais, publicações em que RC Soares se apresentava como coordenador da campanha do PL.

Para o SINJOR/AM e a FENAJ, a medida configura ameaça à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte, assegurado pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal. As entidades destacam que essa garantia protege o direito da sociedade de receber informações de interesse público, sobretudo em período eleitoral.

“A imprensa não pode ser constrangida a revelar suas fontes porque uma informação jornalística desagrada a um candidato ou grupo político”, afirmam as entidades na nota. Elas ressaltam que o exercício responsável do jornalismo exige independência editorial e que iniciativas desse tipo podem gerar efeito intimidatório sobre profissionais e veículos de comunicação.

O sindicato e a federação alertam que o sigilo da fonte não é privilégio de jornalistas, mas garantia constitucional da sociedade. A manifestação reforça a preocupação com eventuais restrições à apuração e divulgação de fatos relevantes para o debate público nas eleições.