sexta-feira, 18 de setembro de 2026.
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IBGE revela 14,4 milhões de PCDs e desigualdade no trabalho e renda

Há uma equipe preparada para dar suporte a todos os públicos, incluindo PcDs e autistas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 18, a segunda edição do estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”. Com base principal no Censo Demográfico de 2022, o levantamento mostra que 14,4 milhões de brasileiros com 2 anos ou mais tinham algum tipo de deficiência naquele ano — o equivalente a 7,3% da população nessa faixa etária.

A dificuldade de enxergar foi a mais frequente, seguida por limitações de locomoção, de manuseio de objetos pequenos, de funções mentais e de audição. Cerca de 3,9 milhões de pessoas acumulavam duas ou mais deficiências.

No mercado de trabalho, a diferença é marcante. Entre a população de 14 anos ou mais, apenas 29% das pessoas com deficiência estavam ocupadas, contra quase 56% daquelas sem deficiência. O menor índice de ocupação (12,9%) ocorreu entre quem tinha limitações nas funções mentais. Já entre as pessoas com dificuldade de enxergar, o percentual chegou a 35,9%.

As mulheres com deficiência enfrentam barreira ainda maior: taxa de ocupação de 24,4%, inferior à dos homens com deficiência (35,4%) e à das mulheres sem deficiência (47%).

A renda também revela o fosso. O rendimento médio do trabalho das pessoas com deficiência foi de R$ 2.053 mensais, cerca de 70% do valor recebido por quem não tem deficiência (R$ 2.890). Esse grupo ainda se concentra em atividades de menor remuneração, como serviço doméstico, agropecuária e alojamento e alimentação.

Na educação, 12,2% dos jovens de 15 a 29 anos com deficiência não sabiam ler ou escrever em 2022. O acesso à internet domiciliar também é menor: 78,9% contra 90,2% entre pessoas sem deficiência.

A falta de acessibilidade aparece de forma clara na moradia. Segundo o estudo, 67,4% das pessoas com deficiência residiam em locais com obstáculos nas calçadas. Apenas 12,9% viviam em domicílios com rampa para cadeiras de rodas no entorno. Além disso, 1,2 milhão de pessoas com deficiência moravam em favelas e comunidades urbanas, onde a proporção (7,6%) supera a média nacional.

Os dados reforçam que as desigualdades se acumulam em várias dimensões da vida — trabalho, renda, educação, acesso digital e condições habitacionais — e apontam a necessidade de políticas públicas mais efetivas de inclusão.