quinta-feira, 30 de abril de 2026.
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Manaus tem segunda pior cobertura de creche entre capitais do Brasil

MANAUS (AM) — Um novo estudo sobre educação infantil no Brasil coloca Manaus em posição preocupante no ranking nacional.

A capital amazonense atende apenas 80% das crianças entre 4 e 5 anos, integrando o grupo de municípios que não atingem a meta de 90% de cobertura.

A situação é ainda mais crítica quando se analisa a faixa de 0 a 3 anos.

O percentual de atendimento de Manaus é o segundo pior entre todas as capitais brasileiras, superando apenas Macapá, que registra 9,1%.

Manaus aparece com apenas 12,8% das crianças atendidas nessa faixa etária, enquanto Porto Velho registra 16,9%.

O estudo

O novo indicador utiliza dados do Censo Escolar e projeções populacionais do IBGE, divulgadas pelo Datasus, para estimar a cobertura anual em creches e pré-escolas em todos os municípios brasileiros.

O indicador foi elaborado pelo Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) em parceria com organizações como as fundações Bracell e Itaú, além do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Cenário nacional

Apesar de a matrícula em unidades de educação infantil a partir dos 4 anos de idade ser obrigatória no país, ainda há crianças fora da escola. Em 16% dos municípios, ou seja, 876 cidades brasileiras, pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos não frequenta creches ou pré-escolas.

Na Região Norte, 29%, o que corresponde a 130 municípios, têm menos de 90% das crianças matriculadas na educação infantil — o pior desempenho regional do país.

Quem lidera e quem fica para trás

Entre as capitais, algumas já universalizaram o atendimento de crianças de 4 e 5 anos, alcançando 100% de cobertura: Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.

Quando se trata de creches (0 a 3 anos), São Paulo lidera com 72,9% das crianças matriculadas, seguida por Vitória (66,7%) e Belo Horizonte (63%), todas acima da meta do PNE.

A distância da meta

O dado coloca Manaus muito distante da nova meta traçada pelo Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, que prevê que o Brasil alcance, em dez anos, atendimento mínimo de 60% das crianças nessa faixa etária.

Com taxa de 12,8%, Manaus está a 47,2 pontos percentuais da meta de 60% fixada pelo novo PNE. Em termos práticos, isso significa que a capital precisaria multiplicar por várias vezes sua capacidade atual de atendimento para deixar a zona crítica em que se encontra.

O Censo Escolar 2025 já havia apontado uma queda nacional de 200 mil matrículas na pré-escola. A diminuição foi de 5,3 milhões em 2024 para 5,1 milhões no ano passado.