
MANAUS (AM) — O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a costa oeste da Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) deixou pelo menos 70 mortos, segundo os últimos balanços de autoridades locais. Em Cali, 20 prédios desabaram e há pessoas presas sob os escombros. O tremor, com epicentro em San José del Palmar, no departamento do Chocó, também foi sentido em Manaus, no Amazonas.
O Serviço Geológico Colombiano (SGC) recalculou a magnitude inicial de 6,7 para 7,4. O sismo ocorreu às 7h34 no horário local (8h34 de Manaus), a uma profundidade de 82 quilômetros. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima a profundidade em 107 quilômetros e o epicentro a cerca de 230 quilômetros de Bogotá. A agência sismológica europeia ESMC aponta 95 quilômetros de profundidade.
A governadora de Chocó afirmou que houve “destruição significante” e que o governo local avalia os impactos. Não há risco de tsunami, segundo o sistema de alerta dos Estados Unidos.
Situação em Cali
A cidade de Cali, no departamento do Valle del Cauca, é uma das mais atingidas. Além dos 20 prédios que desabaram, o prefeito Alejandro Eder informou que há “muitos edifícios rachados”. Equipes de resgate trabalham no resgate de pessoas soterradas. O número de feridos ainda não foi consolidado.
Em Manizales, cidade de cerca de 475 mil habitantes no centro-ocidente da Colômbia, uma das torres da catedral sofreu danos e houve destruição em algumas regiões. Em Pereira, o aeroporto foi atingido e edificações desabaram parcialmente.
Tremor em Manaus
O abalo sísmico chegou ao Brasil. Em Manaus, moradores e trabalhadores de prédios no Centro, no bairro Aleixo e em Adrianópolis relataram o tremor. O Corpo de Bombeiros realiza inspeções em edifícios nos três bairros.
Uma pessoa que trabalha no Edifício Palácio do Comércio, no Centro de Manaus, contou que sentiu o abalo por volta das 8h30 (horário local). “Eu senti um pouco de náuseas e a minha colega também estava se sentindo mal, porque ainda não tinha tomado café, mas logo percebemos que as persianas estavam balançando, mesmo com todas as janelas fechadas. Olhamos para o teto também, os pendentes se balançando, então foi quando a gente percebeu que se tratava realmente de um tremor, que o prédio estava balançando”, relatou.
Moradores e trabalhadores desceram pelas escadas e deixaram o prédio. Pessoas que saíram pelo elevador também perceberam o equipamento balançar e travar. “Descemos pela escada. O prédio todo mundo desceu e pessoas que estavam saindo, descendo pelo elevador também sentiu o elevador travar, balançar e ficou aquela sensação tensa, mas graças a Deus, todo mundo está bem”, disse ao G1.
No Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), servidores e magistrados também relataram ter percebido reflexos do tremor na sede do órgão. Segundo a Secretaria de Infraestrutura do tribunal, não há indícios de comprometimento da estrutura do prédio. As atividades seguem normalmente.
Brasileiro em Bogotá
O brasileiro Lucas Vasconcelos, que mora em Bogotá, estava tomando café da manhã quando percebeu o tremor. “Comecei a me sentir tonto, olhei para a janela e vi a cortina balançar. Dez segundos depois o alarme do prédio tocou e eu já entendi que era mais um terremoto acontecendo. Já é o segundo tremor desse ano. O último que teve aconteceu na Venezuela e sentimos os efeitos aqui. Já o de hoje foi muito mais forte. Apesar do epicentro não ter sido em Bogotá, todos evacuaram dos seus prédios e estamos aguardando se acontecerá uma réplica ou não”, disse.
Em Bogotá, o prefeito Carlos Fernando Galán informou que, até o momento, não há relatos de “graves afetações ou danos estruturais”, apenas rachaduras em prédios.
O tremor também foi sentido no Equador e na Venezuela. Em junho deste ano, um tremor proveniente da Venezuela já havia sido registrado em Manaus, quando prédios de mais de oito pavimentos nos bairros Adrianópolis, Vieiralves e Ponta Negra sentiram os efeitos. Na época, não houve registro de danos estruturais, desabamentos ou vítimas.










