Início Artigo STF garante inclusão de todos os partidos em distribuição de sobras eleitorais

STF garante inclusão de todos os partidos em distribuição de sobras eleitorais

Em 27 de fevereiro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.228, 7.263 e 7.325, decidiu que todos os partidos poderão participar da última fase de distribuição das sobras eleitorais, independentemente de atingir 80% do quociente eleitoral. Essa decisão visa corrigir distorções na representatividade política e promover maior pluralidade no sistema eleitoral brasileiro.

Dentro desse contexto, é necessário destacar que a distribuição das sobras eleitorais é fundamental para assegurar a proporcionalidade e a pluralidade partidária. O sistema proporcional busca garantir uma distribuição justa das cadeiras conforme os votos obtidos. A Lei nº 14.211/2021, entretanto, exigia que os partidos alcançassem 80% do quociente eleitoral para participar da última fase de distribuição das sobras, favorecendo legendas maiores e prejudicando partidos menores. Isso afetava o princípio da soberania popular e do pluralismo político, pilares do sistema democrático.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator do caso, ressaltou que excluir candidatos com votação significativa, simplesmente por pertencerem a partidos que não alcançaram o patamar de 80% do quociente, comprometia a representatividade eleitoral e a pluralidade partidária. Ele também observou que essa regra poderia favorecer candidatos com menos votos, apenas por serem filiados a partidos maiores, desvirtuando o sistema proporcional e comprometendo princípios constitucionais de igualdade e justiça eleitoral.

A decisão do STF representa um avanço significativo para a justiça eleitoral, reforçando os princípios de igualdade e representatividade. Embora a medida seja aplicável apenas às eleições futuras, houve um intenso debate sobre a possibilidade de efeitos retroativos, o que poderia impactar a composição atual da Câmara dos Deputados, reacendendo a discussão sobre a temporalidade das decisões judiciais no âmbito eleitoral.

O entendimento do STF fortalece o sistema eleitoral brasileiro, aproximando-o de um modelo mais justo e fiel à vontade do eleitorado. O desafio agora é assegurar a implementação eficaz dessa decisão nos próximos pleitos, consolidando a democracia representativa no país.

*Fábio de Souza Pereira: Jornalista, Professor e Assessor Eleitoral