terça-feira, 6 de outubro de 2026.
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Seca na Amazônia pode manter rios baixos até 2027, alerta Embrapa

O fenômeno El Niño deve continuar influenciando o clima até pelo menos o início de 2027.

Os rios da Amazônia podem enfrentar meses de níveis abaixo do esperado, enquanto comunidades ribeirinhas, atividades econômicas e áreas de floresta entram em um período de maior vulnerabilidade. Um cenário climático marcado por calor intenso e redução das chuvas deve manter a pressão sobre a região até o início de 2027, segundo projeções divulgadas pela Embrapa nesta terça-feira (6).

A previsão está relacionada à influência de um El Niño de forte intensidade, que pode atrasar a chegada das chuvas e elevar as temperaturas. Na Amazônia Legal, a combinação de ar mais seco, pouca precipitação e ondas de calor tende a aumentar a vazante dos rios e dificultar a navegação, especialmente em localidades que dependem das vias fluviais para transporte e abastecimento.

No Amazonas, os efeitos podem ser ainda mais sentidos na região Ocidental. Dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) mostram que o rio Negro atingiu 24,09 metros em Manaus no dia 1º de setembro, ficando 2,59 metros abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Em Itacoatiara, o rio Amazonas marcou 9,95 metros, contra 12,13 metros no ano anterior.

Além das dificuldades para o transporte, a estiagem prolongada aumenta a preocupação com incêndios. Calor, baixa umidade e pouca chuva deixam a vegetação mais vulnerável ao fogo e podem provocar impactos sobre pastagens, lavouras, peixes e reservas de água no solo. A Embrapa também alerta para a chamada “seca verde”, situação em que a vegetação ainda aparenta estar verde, mas perde umidade e qualidade nutricional por causa da falta de água.

O cenário climático também acende um alerta para os próximos meses. O Painel El Niño, que reúne órgãos como Inmet, Inpe, ANA, Cemaden e SGB, prevê que o fenômeno possa continuar influenciando o clima até pelo menos o início de 2027. Entre outubro e dezembro, a expectativa é de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte, enquanto as temperaturas devem permanecer acima do normal em boa parte do país.

Caso as projeções se confirmem, a população do interior do Amazonas poderá enfrentar novos desafios relacionados à mobilidade, ao abastecimento e às atividades econômicas. Para comunidades que dependem diretamente dos rios, cada metro perdido no nível da água pode representar maior dificuldade para chegar a escolas, unidades de saúde e centros de comércio.