sábado, 24 de outubro de 2026.
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Carros de luxo apreendidos do crime passam a integrar frotas policiais

Porsche, Lamborghini, BMW e Chevrolet Camaro estão entre os veículos de alto padrão que passaram a ser utilizados por forças policiais brasileiras após serem apreendidos em investigações criminais. Os automóveis, antes associados a suspeitos ou condenados por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, foram destinados a atividades de segurança pública em diferentes estados.

A incorporação desses modelos às frotas policiais ocorre em situações nas quais a Justiça autoriza a utilização dos bens apreendidos. Em vez de permanecerem sem uso durante os procedimentos judiciais, determinados veículos podem ser destinados às corporações, conforme as condições legais aplicáveis a cada caso.

No Paraná, a Polícia Militar utiliza três modelos de alto padrão: um Porsche Macan, um Audi TT e um Chevrolet Camaro. Avaliados em conjunto em cerca de R$ 1,5 milhão, os automóveis foram incorporados ao policiamento estadual e receberam adaptações visuais para identificação como viaturas. Segundo informações divulgadas pela corporação, os veículos são empregados em atividades operacionais, inclusive no litoral paranaense.

Outro exemplo foi registrado no Rio Grande do Sul. Em 2019, o Ministério Público destinou um Chevrolet Camaro SS à Polícia Civil após o veículo ser confiscado em uma investigação relacionada à lavagem de dinheiro. O automóvel passou a ser utilizado em Passo Fundo.

A Polícia Federal também incorporou veículos esportivos às suas atividades. No Paraná, uma Lamborghini Gallardo avaliada em R$ 629 mil foi apreendida durante a Operação Daemon, que investigou um esquema de fraudes envolvendo criptomoedas. A investigação apurou desvios superiores a R$ 1,5 bilhão. O carro pertencia a Claudio José de Oliveira, investigado no caso.

Em Santa Catarina, um Porsche 911 Turbo avaliado em mais de R$ 1,5 milhão foi apreendido em uma operação conjunta com a Interpol contra um italiano suspeito de tráfico internacional de drogas. Já no Tocantins, uma BMW i8 avaliada em R$ 800 mil foi confiscada no âmbito da Operação Midas do Cerrado, voltada à apuração de crimes financeiros.

Apesar da utilização desses bens no serviço público, os veículos de alto desempenho também representam desafios administrativos. Despesas com combustível, manutenção especializada, peças e reparos precisam ser consideradas pelas corporações responsáveis.

A destinação dos automóveis transforma bens ligados a investigações criminais em recursos para a segurança pública. A utilização, no entanto, depende das condições jurídicas de cada apreensão e da viabilidade de manter os veículos em operação.