
BRASÍLIA (DF) — O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (5) que considera inadequado enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, o crime organizado no país possui características próprias e exige estratégias de enfrentamento diferentes das utilizadas em ações antiterrorismo.
A declaração foi dada durante debates sobre segurança pública e cooperação internacional no combate às organizações criminosas. Para Rodrigues, associar grupos criminosos ao terrorismo pode provocar distorções jurídicas e operacionais, além de comprometer a eficácia das investigações conduzidas pelas forças de segurança.
O diretor da PF ressaltou que facções atuam principalmente com foco econômico, explorando atividades ilegais como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, armas e controle territorial. Na avaliação dele, o terrorismo possui motivações distintas, geralmente ligadas a objetivos políticos, ideológicos ou religiosos.
Rodrigues também destacou que o Brasil já possui instrumentos legais capazes de combater organizações criminosas sem necessidade de alterar a classificação jurídica desses grupos. Ele defendeu o fortalecimento da inteligência policial, da integração entre estados e do rastreamento financeiro como medidas mais eficazes para enfraquecer as facções.
A discussão sobre o tema ganhou força após pressões de setores políticos e de autoridades estrangeiras favoráveis ao enquadramento de facções brasileiras em legislações antiterrorismo. Especialistas em segurança pública, porém, divergem sobre os impactos práticos dessa mudança.
Integrantes da área jurídica alertam que a ampliação do conceito de terrorismo pode abrir espaço para interpretações mais amplas da legislação penal brasileira. Já defensores da proposta afirmam que o enquadramento poderia ampliar mecanismos de cooperação internacional e endurecer punições contra líderes criminosos.
Nos últimos anos, facções ampliaram influência em diferentes regiões do país, especialmente em rotas do tráfico internacional de drogas e em áreas de fronteira. O avanço dessas organizações tem pressionado governos estaduais e autoridades federais a reforçarem operações integradas de segurança.


