quarta-feira, 6 de maio de 2026.
Início Segurança Pública Garimpo ilegal no Amazonas perde R$ 151 milhões em dragas destruídas

Garimpo ilegal no Amazonas perde R$ 151 milhões em dragas destruídas

As redes de garimpo ilegal que atuam nos rios do extremo oeste do Amazonas sofreram nesta semana um baque avaliado em R$ 151 milhões. Em uma ação coordenada entre órgãos federais e estaduais, 50 dragas foram inutilizadas nos municípios de Japurá e Jutaí — região de difícil acesso, próxima à fronteira com a Colômbia e o Peru.

A operação, comandada pelo Comando Conjunto Harpia dentro da Operação Ágata Amazônia 2026, teve efeito cascata antes mesmo do desembarque das equipes. A simples aproximação das forças de segurança pelos rios fez 117 balsas suspenderem as atividades, segundo levantamento das autoridades. A estratégia de pressão contínua — patrulhamento fluvial seguido de ação direta — evitou confrontos. Não houve feridos.

Entre os equipamentos apreendidos, destaca-se uma embarcação avaliada em cerca de R$ 2 milhões, além de armas, munições, combustível em volume expressivo e mercúrio — metal pesado usado na amalgamação do ouro e banido em extrações regulares por seu potencial de contaminação hídrica. Balanças de precisão também foram recolhidas, indicando que a atividade criminosa na região opera com estrutura de controle de produção, não como empreitada isolada.

A ação reuniu agentes do Ibama, Polícia Federal, Polícia Militar do Amazonas e militares das Forças Armadas. Fiscalizações paralelas ocorreram em Tefé, município com população superior a 60 mil habitantes e tradicional ponto de escoamento de produtos extraídos do interior.

O Alto Solimões concentra algumas das áreas mais remotas da Amazônia brasileira. A distância de Manaus — que pode chegar a mais de 800 quilômetros por via fluvial — e a precariedade de comunicação por terra tornam a região historicamente difícil de fiscalizar. A presença do Estado, quando ocorre, depende de operações planejadas com meses de antecedência e apoio logístico de helicópteros e embarcações de grande porte.

As dragas destruídas nesta operação representam apenas uma fração da frota estimada que atua nos rios da região. Especialistas em segurança pública e meio ambiente têm alertado que o garimpo clandestino na Amazônia se financia cada vez mais por redes organizadas que operam fora da região, com capilaridade que vai além da simples extração mineral.

A contaminação por mercúrio — substância apreendida em quantidade na operação — é um dos legados mais duradouros da atividade. Estudos da Fiocruz e da Universidade de São Paulo já documentaram níveis do metal em peixes consumidos por comunidades ribeirinhas e indígenas da bacia do Solimões, com potencial de causar danos neurológicos irreversíveis, especialmente em crianças em desenvolvimento.

A Operação Ágata Amazônia é iniciativa recorrente das Forças Armadas voltada ao patrulhamento de fronteiras e combate a crimes ambientais. Sua reativação periódica ocorre conforme a escalada de pressões sobre o território amazônico.