
A seca na Amazônia avança em ritmo preocupante. Nos primeiros dez dias de agosto, o nível do Rio Negro recuou 58 centímetros — queda bem acima dos 34 cm registrados no mesmo período do ano passado. O alerta foi feito nesta terça-feira (11) pelo diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Willamy Frota, durante reunião do órgão regulador.
“Tem me preocupado. É muita coisa. E todas as calhas estão com vazantes preocupantes, muito preocupantes”, afirmou Frota.
O diretor pediu “atenção redobrada” às empresas do setor elétrico que atuam na região Norte, incluindo geradoras de energia e distribuidoras responsáveis pela gestão do combustível usado em termelétricas que atendem comunidades isoladas.
Risco de repetir a crise de 2023
Frota ressaltou que o ritmo acentuado das vazantes já é visível nas calhas dos rios Solimões, Purus, Juruá, Madeira e Rio Negro, que apresentam descidas maiores do que as ocorridas em 2025.
“O que pode sinalizar que tenhamos uma situação muito similar à de 2023”, advertiu, referindo-se à estiagem severa que assolou a região naquele ano.
A ocorrência do fenômeno El Niño em 2026 eleva o risco de uma seca extrema, que, segundo o diretor, comprometeria a navegabilidade dos rios amazônicos — as principais “estradas” do Norte do país.
Ação preventiva
Diante do cenário, Frota destacou que a Aneel já trabalha junto a outros órgãos do governo para garantir o suprimento de energia na região e evitar o agravamento da crise hídrica e logística.
A queda dos níveis dos rios coloca em alerta não apenas o setor elétrico, mas toda a cadeia de transporte e abastecimento da Amazônia, que depende das vias fluviais para escoar cargas e transportar pessoas.










