quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026.
Início Justiça Uma palavra pode custar R$ 10 milhões à Globo; entenda o caso

Uma palavra pode custar R$ 10 milhões à Globo; entenda o caso

Procurador de Minas Gerais afirma que emissora induz população ao erro ao dizer "récorde" em vez de "recorde"; ação quer correção imediata na programação

MINAS — Uma ação protocolada no Ministério Público Federal em Minas Gerais acusa a Globo de ferir o patrimônio cultural da língua portuguesa. O autor, procurador Cléber Eustáquio Neves, pede que a emissora seja condenada a pagar R$ 10 milhões e a corrigir, com urgência, a pronúncia da palavra “recorde” em seus programas.

Na petição, cujos trechos foram divulgados pela Folha de S. Paulo, Neves sustenta que a Globo adota a forma “récorde” (proparoxítona) quando o correto, segundo a norma culta, é “recorde” (paroxítona, com sílaba tônica em “cor”). O procurador argumenta que a prática da emissora viola “o direito difuso da sociedade a ter acesso a uma programação com finalidade educativa”.

Linguistas explicam que a versão “récorde” popularizou-se no Brasil por influência do inglês “record”. Apesar de disseminada, é considerada um estrangeirismo inadequado pelos puristas do idioma.

A ação pede liminar para que a correção seja feita imediatamente na programação, sob pena de multa diária. O caso chama a atenção pelo ineditismo e pelo valor elevado da compensação pretendida – R$ 10 milhões por danos ao patrimônio imaterial.

Procurada, a Globo ainda não se manifestou sobre o processo.