
MIANMAR — Os esforços de resgate continuam neste domingo (30) após o devastador terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar na sexta-feira (28), deixando pelo menos 1.700 mortos e 3.400 feridos. O tremor, que também foi sentido na Tailândia, onde 18 pessoas perderam a vida, ocorreu próximo à Falha de Sagaing, uma das áreas sísmicas mais ativas do país. A junta militar birmanesa informou ainda que há cerca de 300 desaparecidos, enquanto réplicas, como a de magnitude 5,1 registrada neste domingo, continuam assustando a população e interrompendo as operações de busca.
A cidade de Mandalay, próxima ao epicentro, é uma das mais afetadas, com prédios desabados, pontes destruídas e estradas rachadas. Em um templo parcialmente colapsado, onde 180 monges faziam provas no momento do terremoto, equipes de resgate birmanesas e chinesas já encontraram 21 sobreviventes e 13 vítimas fatais. Familiares aguardam notícias angustiantes, como San Nwe Aye, irmã de um monge desaparecido, que clama por qualquer sinal de vida. Enquanto isso, hospitais enfrentam dificuldades para lidar com a crise, com escassez grave de suprimentos médicos essenciais, como bolsas de sangue e anestésicos.
A comunidade internacional começou a mobilizar ajuda, mas alertas apontam que os recursos disponíveis são insuficientes para um desastre desta magnitude. Antes do terremoto, cerca de um terço da população de Mianmar já estava em risco de fome, segundo a ONU. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou quase três toneladas de suprimentos médicos e lançou um apelo por US$ 8 milhões (R$ 46 milhões) para evitar uma crise humanitária ainda maior nos próximos dias. A China prometeu US$ 13,8 milhões (R$ 79,5 milhões) e enviou 82 socorristas, enquanto a Cruz Vermelha busca arrecadar US$ 100 milhões (R$ 576 milhões). O Governo de Unidade Nacional (NUG), grupo de oposição, pediu um cessar-fogo temporário para facilitar os esforços de resgate.
Na Tailândia, os trabalhos de resgate se concentram no local onde um arranha-céu de 30 andares em construção desabou em Bangcoc, deixando ao menos 18 mortos e 78 desaparecidos. Equipamentos pesados, drones com câmeras térmicas e cães farejadores foram mobilizados para tentar encontrar sobreviventes. O terremoto também causou rachaduras em diversos edifícios da capital tailandesa, aumentando os temores sobre a segurança de outras estruturas. Enquanto isso, milhares de pessoas permanecem desabrigadas, sem acesso a alimentos ou cuidados médicos, em meio a uma tragédia que expõe as fragilidades socioeconômicas e estruturais da região.