Pesquisa aponta que 25% de detentas em Manaus são portadoras do vírus HPV

Pesquisa foi feita com 216 mulheres. Do total, 55 apresentaram alterações nos exames. (Foto: Divulgação)

Cerca de 25% das mulheres detentas do sistema prisional de Manaus – aberto, semiaberto, fechado e provisório – são portadoras do Papilomavírus Humano (HPV), segundo um levantamento feito durante o projeto de doutorado da médica da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Hilka Espírito Santo. O vírus é responsável por causar as lesões precursoras do câncer de colo de útero.

A pesquisa, denominada “Autocoleta e teste de DNA para HPV como rastreio para o câncer de colo uterino em mulheres privadas de liberdade”, foi feita com 216 mulheres. Desse total, 55 apresentaram alterações nos exames.

Os resultados ainda são parciais, e a pesquisa tem como objetivo testar o uso do dispositivo de autocoleta “Coari” em populações de difícil acesso ao sistema de saúde.

O dispositivo foi produzido pela empresa Kolplast, que doou 450 exemplares para a pesquisa. A autocoleta é um método utilizado em vários países desenvolvidos por populações com dificuldades de acesso à saúde. O dispositivo permite que a própria mulher introduza o aparelho no canal vaginal, sendo semelhante a um aplicador de creme vaginal.

Faixa de risco

De acordo com Hilka Espírito Santo, a equipe está na fase de análise dos dados, mas alerta que a porcentagem de mulheres contaminadas com o HPV é considerada alta. Segundo ela, isso se deve ao fato delas estarem em uma faixa considerada de risco – múltiplos parceiros, tabagismo, não utilizam preservativo, usam drogas ilícitas e não realizam exames de saúde periódicos.

Política pública

Para a médica pesquisadora, com os resultados do trabalho, pretende-se mostrar que a autocoleta é um exame viável para as mulheres privadas de liberdade e, posteriormente, apresentar a proposta aos Ministérios da Saúde (MS) e de Justiça e Segurança Pública.

“Queremos sensibilizá-los sobre a importância desse exame, de forma que essas mulheres façam parte da política de rastreio do câncer de colo de útero porque, efetivamente, elas não participam”, lamentou.

Acompanhamento

Conforme a médica ginecologista da FCecon Mônica Bandeira as mulheres que apresentaram resultados positivos para HPV de alto risco – oncogênicos, ou seja, que causam câncer – irão realizar a colposcopia. Ela disse que o exame localiza a parte doente do colo uterino que apresenta as lesões pré-cancerosas, através de um aparelho semelhante a um binóculo, que possui lentes especiais de aumento.

Segundo a médica especialista, os casos confirmados com essas alterações serão submetidos imediatamente, por meio do projeto “Ver e tratar o colo uterino”, à conização – pequena, simples e rápida cirurgia com a retirada da parte doente do colo uterino em forma de cone.

“É importante ressaltar que o material extraído será encaminhado, obrigatoriamente, para biópsia e análise no laboratório de Patologia. As pacientes confirmadas para lesões precursoras, após a conização, serão acompanhadas a cada seis meses, durante um período de dois anos, na FCecon, sendo submetidas aos exames preventivo e de colposcopia. As mulheres com resultado positivo para câncer serão tratadas por meio de cirurgia e/ou radioterapia e/ou quimioterapia, dependendo do estadiamento da doença”, frisou.

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