
O avanço do garimpo ilegal no noroeste do Amazonas acendeu um alerta sanitário e ambiental. O Ministério Público Federal (MPF) divulgou, nesta quinta-feira (19), um relatório que aponta o risco iminente de contaminação por mercúrio em comunidades indígenas e ribeirinhas às margens do rio Tonantins. De acordo com o órgão, mais de três mil pessoas podem estar sendo expostas ao metal tóxico ao consumir água do manancial, que já apresenta sinais visíveis de degradação.
O documento é fruto de uma missão institucional realizada no final de 2025. A equipe do MPF constatou que a intensa atividade de dragas e balsas utilizadas na extração clandestina de minério alterou a coloração do rio, um indicador claro do impacto ambiental. A principal preocupação, no entanto, é com o uso generalizado de mercúrio no processo de beneficiamento do ouro, uma substância classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das dez mais perigosas para a saúde humana.
“Porque o processo de beneficiamento do ouro envolve o uso de mercúrio, substância altamente tóxica e poluidora, a simples presença de embarcações garimpeiras irregulares nos rios amazônicos representa risco elevado ao meio ambiente e à saúde humana”, destaca um trecho da recomendação enviada pelo MPF.
Diante do cenário, o MPF enviou um conjunto de recomendações a seis órgãos federais e estaduais, apontando a fragilidade da presença do Estado na região e cobrando um plano emergencial para conter os danos. As instituições notificadas foram: Ibama, ICMBio, Ipaam, Polícia Federal, Polícia Militar do Amazonas e Marinha do Brasil.
Entre as medidas sugeridas pelo Ministério Público estão a destruição imediata de dragas, balsas e demais equipamentos empregados na extração ilegal; a prisão em flagrante dos responsáveis pela atividade criminosa; e a proibição de que os infratores sejam nomeados como depositários dos próprios bens apreendidos, uma prática que, na visão do órgão, fragiliza a efetividade das ações de fiscalização.
As entidades têm um prazo de 30 dias para informar se acatarão as orientações. O MPF adverte que, na ausência de uma resposta ou de medidas concretas, poderá recorrer a ações administrativas e judiciais para garantir a proteção da saúde da população local e a integridade do ecossistema amazônico.


