
A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República corre risco de não sair do papel — e o problema não vem das urnas, mas de um clique no sistema da Justiça Eleitoral.
Desde a última terça-feira (12), o senador pelo Rio de Janeiro, que deveria concorrer pelo PL, aparece no cadastro do TSE como filiado ao Partido Missão. A desfiliação do PL e a nova filiação foram registradas na mesma data, com carimbo digital do próprio sistema do tribunal. Só que ninguém — nem Flávio, nem o Missão — parece saber exatamente como isso aconteceu.
O TSE foi rápido em descartar uma invasão hacker. Em nota, a Corte afirmou que a filiação foi feita por alguém que possuía as credenciais oficiais do partido. Ou seja: o sistema funcionou como deveria. Só que, aparentemente, alguém usou esse acesso para colocar Flávio Bolsonaro em uma legenda que ele nunca pediu para entrar.
O Partido Missão, por sua vez, entrou em campo dizendo ser vítima. Em nota oficial, a legenda afirmou que seus próprios sistemas detectaram a fraude e tentaram cancelar a filiação no mesmo dia. O TSE, no entanto, rejeitou o pedido. A sigla já acionou a Polícia Federal e prometeu entregar logs, e-mails e IPs às autoridades.
O detalhe incômodo: o Missão diz que avisou o gabinete de Flávio sobre a tentativa de filiação desde 2 de agosto — dez dias antes do registro aparecer no TSE. E-mails foram enviados, abertos, mas não respondidos.
Enquanto isso, o relógio corre.
O prazo para que os partidos registrem candidaturas à Presidência termina às 19h deste sábado (15). Até agora, seis candidatos já se inscreveram: Lula (PT), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata). Flávio Bolsonaro não está entre eles.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que uma equipe jurídica já está no TSE tentando reverter a situação. Flávio pediu para voltar ao PL. Mas a burocracia eleitoral não costuma esperar — e o sábado está chegando.









