segunda-feira, 2 de novembro de 2026.
Início Saúde Expedicionários da Saúde levam cirurgias a indígenas em Iauaretê no AM

Expedicionários da Saúde levam cirurgias a indígenas em Iauaretê no AM

AMAZONAS — Os Expedicionários da Saúde (EDS) iniciaram no sábado, 31, uma nova expedição médica em Iauaretê, distrito de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, interior do Amazonas. A ação marca o início do projeto “Cuidar para Preservar”, que prevê quatro anos de atendimento contínuo a comunidades indígenas da região. O local foi escolhido por ter recebido a primeira expedição da organização, em abril de 2004.

Os atendimentos seguem até o dia 7 de novembro. Cerca de 60 profissionais e voluntários, entre médicos, enfermeiros e equipes de apoio, participam da operação.

A 59ª expedição oferece serviços em quatro frentes: oftalmologia, cirurgia geral, saúde da mulher e pediatria. Na oftalmologia, estão previstas cirurgias de catarata e pterígio. Na cirurgia geral, o foco é o tratamento de pacientes com hérnia. Na saúde da mulher, o trabalho inclui prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo do útero, além de exames, avaliações e ações de acompanhamento conforme a demanda local.

Projeto de quatro anos com apoio do Fundo Amazônia

O projeto “Cuidar para Preservar” tem duração de quatro anos e conta com apoio do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. Além das expedições médicas e cirúrgicas, prevê atendimento odontológico, consultas a distância, capacitação de profissionais locais e melhorias na estrutura dos polos de saúde indígena.

A iniciativa inclui ainda atendimento a pessoas amputadas, com fornecimento de próteses por meio do programa Floresta em Movimento. A proposta é ampliar o acesso a serviços especializados e fortalecer o atendimento nas comunidades do Alto Rio Negro.

Estrutura hospitalar móvel

Para atender na região, a organização mobiliza um hospital de campanha com centro cirúrgico e equipamentos de grandes centros. São cerca de 20 toneladas de materiais, medicamentos e equipamentos, transportados por rios e por terra devido ao difícil acesso.

Em 2004, a primeira expedição contou com quatro médicos e cerca de 100 quilos de materiais. Hoje, são dezenas de profissionais com capacidade para operar em áreas remotas.

Em mais de 20 anos, os Expedicionários realizaram 58 expedições, mais de 11 mil cirurgias, 80 mil atendimentos e 170 mil exames, em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).