EUA e outros países preparam liberação de reservas de petróleo contra alta dos combustíveis

O objetivo é resolver o descompasso entre oferta e demanda da commodity e, dessa forma, reduzir os preços no mercado internacional

Os EUA, juntamente com Inglaterra, Índia, Coréia do Sul e possivelmente o Japão, iniciaram um movimento de liberação de reservas estratégicas de petróleo para conter o preço da commodity.

Depois de uma negativa da OPEP+ de aumentar a oferta do produto no mercado internacional, esses países decidiram tomar uma atitude por conta própria, em um momento em que o preço do barril está em seu preço mais alto de 3 anos.

A decisão foi tomada visando controlar o valor do petróleo , mas também para ajudar a controlar a inflação interna, que vem sendo um problema nos EUA e gerando desgaste na aprovação de Biden.

As reuniões da OPEP+ ocorrem periodicamente e tem como objetivo ajudar a manter o mercado de petróleo sob controle. Os países do bloco definem a oferta de petróleo ao mundo, mantendo o valor sob controle. Nesse caso, a última reunião definiu que não haverá aumento da oferta, mesmo com o pedido dos EUA e de outros países, o que faria com que o valor do barril continuasse crescendo.

A intervenção, feita por esse outro bloco de países, é um movimento fora do comum e demonstra uma certa insatisfação dos países consumidores em relação à política da OPEP+, que vem mantendo o valor do barril em alta, o que é negativo para as economias em recuperação depois da crise sanitária.

Outra questão que salta aos olhos é a inclusão da Inglaterra nesse movimento, sendo um dos primeiros grandes movimentos econômicos internacionais da Inglaterra pós-Brexit.

CONSEQUÊNCIAS DIPLOMÁTICAS

As reservas estratégicas de Petróleo dos EUA não podem ser movidas de forma leviana, sendo necessária a aprovação do congresso para que esses movimentos sejam feitos. Inicialmente estão sendo emprestados ao mercado um total de 32 milhões de barris de petróleo, além de 18 milhões de barris para serem colocados à venda, já aprovados.

Nesse sentido, alguns países não liberaram valores em barris a serem liberados. Coréia do Sul e Japão não abriram seus números, já a Inglaterra fala em 1,5 milhão de barris. A Índia colabora com 5 milhões de barris.

Existem duas questões políticas intimamente relacionadas com essa liberação dos EUA, sendo uma interna e outra externa. Na questão interna, vemos o presidente Joe Biden tendo um primeiro ano de governo pedregoso. Com seu partido sofrendo uma derrota na última eleição e sua aprovação derretendo, ele tenta combater a inflação do país ao tentar forçar para baixo o valor internacional do barril de Petróleo.

Na questão internacional, os EUA vão contra os interesses de aliados dentro do Golfo, como os Emirados Árabes, ao ir contra uma decisão da OPEP. É cedo para dizer se isso teria alguma consequência a longo prazo, mas esse risco não está totalmente descartado.

REFLEXOS NO BRASIL

Essa liberação de barris de petróleo das reservas estratégicas dos EUA pode ter um efeito positivo dentro do mercado interno, especialmente quando falamos dos valores de combustíveis. Com a política de paridade de importação vigente na Petrobrás, toda e qualquer oscilação do valor do Petróleo tem consequências na nossa economia.

Não há como prever como e se essas liberações vão afetar realmente os preços do barril de petróleo ou para quando essa modificação atinja as bombas de combustível, já que existe ainda mais uma reunião da OPEP+ este ano, no dia 03/12.

fonte: CPG

 

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