segunda-feira, 22 de junho de 2026.
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Calor extremo atinge 1 bilhão de pessoas a mais por ano

Um novo estudo global mostra que o calor extremo se tornou muito mais presente no dia a dia da população mundial. Segundo a pesquisa, cerca de 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam ao menos um dia de calor extremo por ano em comparação com os anos 1970. A parcela da população exposta a essa condição saltou de 16% para 22%.

Publicado na revista Nature Climate Change, o levantamento analisou dados de estresse térmico entre 1950 e 2024. Os resultados revelam um aquecimento “multidimensional”: os dias estão mais quentes, as noites esquentam ainda mais rápido (0,32 °C por década contra 0,27 °C nos dias) e os episódios de calor contínuo, sem alívio noturno, ficaram mais frequentes e duradouros.

Essa falta de resfriamento à noite é especialmente preocupante, pois impede o corpo humano de se recuperar do estresse térmico acumulado durante o dia.Impacto na América do Sul e no Brasil

A região está entre as mais afetadas. Na América do Sul, a sensação térmica máxima subiu entre 2 °C e 4 °C desde os anos 1970. No norte do continente, incluindo áreas do Brasil, há até 80 dias a mais por ano com calor muito forte. No Sul e Sudeste, o aumento chega a 50 dias adicionais de calor forte a extremo.Hoje, 70% da população mundial vive sob calor forte por pelo menos 90 dias ao ano. Dentre os mais vulneráveis estão as crianças: cerca de 559 milhões já enfrentam ondas de calor frequentes.

O estudo destaca que tanto o aquecimento global quanto o crescimento populacional contribuem para o problema, mas o papel da mudança climática se torna dominante quanto mais intenso e prolongado é o calor.