segunda-feira, 29 de junho de 2026.
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Manaus pode enfrentar uma das maiores secas da história em 2026

MANAUS (AM) — Os próximos meses serão decisivos para o comportamento do Rio Negro em Manaus. Projeções elaboradas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que o nível do rio pode voltar a registrar uma vazante histórica neste ano, caso as condições climáticas repitam padrões observados em períodos recentes de seca extrema.

O levantamento considera a evolução da cheia de 2026 e compara o comportamento atual da descida das águas com registros acumulados entre 1903 e 2025. A partir dessa análise, os pesquisadores elaboraram diferentes cenários para a cota mínima que poderá ser alcançada durante a estiagem.

Cenário mais crítico prevê nível próximo ao recorde de seca

Na projeção mais severa, o Rio Negro poderá atingir a marca de 12,90 metros em Manaus, patamar semelhante aos observados durante as maiores secas da série histórica.

Os dados mostram que a menor cota já registrada ocorreu em 2024, quando o rio chegou a 12,66 metros. Em seguida aparecem os anos de 2023, com 12,70 metros, e 2010, quando o nível baixou para 13,63 metros.

O estudo também trabalha com cenários menos extremos. Em uma hipótese de estiagem severa, a previsão aponta para 13,96 metros. Já caso a vazante siga comportamento semelhante ao registrado em 2015, a cota poderá atingir 14,76 metros.

Comportamento do rio preocupa especialistas

Segundo o SGB, o alerta foi motivado pelo ritmo inicial da vazante, que apresenta características semelhantes às observadas em 2023, ano marcado por uma das maiores secas já registradas na capital amazonense.

Apesar dessa semelhança, os pesquisadores destacam que os modelos climáticos disponíveis até o momento ainda não indicam a repetição de um evento extremo nas mesmas proporções.

Isso significa que o cenário permanece em acompanhamento e poderá ser atualizado conforme novos dados hidrológicos e meteorológicos forem incorporados às análises.

El Niño pode acelerar a descida das águas

Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, o comportamento do clima nos próximos meses será determinante para a intensidade da vazante.

Segundo ele, uma eventual atuação do fenômeno El Niño no início do segundo semestre poderá acelerar a redução dos níveis dos rios amazônicos.

“O início do evento pode provocar uma descida muito rápida das águas, aumentando o risco de uma estiagem mais intensa”, avalia o pesquisador.

Fenômeno influencia o regime de chuvas

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e interfere na distribuição das chuvas em diversas regiões do planeta.

Na Amazônia, o fenômeno costuma favorecer períodos mais secos e temperaturas elevadas, condições que contribuem para reduzir o volume dos rios e aumentar o risco de eventos hidrológicos extremos.

Embora ainda não exista confirmação de que a estiagem deste ano repetirá os recordes recentes, especialistas reforçam que o monitoramento contínuo será fundamental para orientar medidas preventivas e reduzir os impactos sobre a população, a navegação e o abastecimento das comunidades dependentes dos rios.