Bolsonaro ataca imprensa, França e Raoni em discurso na ONU

Em seu primeiro discurso na ONU, presidente brasileiro não poupa a própria organização e defende a agenda de liberalização do país | Foto: Carlos Allegri/Reuters

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, abriu nesta terça os debates gerais da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Bolsonaro fala sob pressão para tentar reverter a imagem negativa de seu governo no exterior. Logo no início de seu discurso, Bolsonaro disse que vinha “apresentar o novo Brasil que ressurge depois de ter ficado à beira do socialismo” e que seu governo tenta reconquistar a confiança do mundo.

Em seu discurso de 31 minutos, Bolsonaro citou o programa Mais Médicos, assinado em 2013 entre o “governo petista e a ditadura cubana”, que o definiu como “trabalho escravo”.

— Os que decidirem ficar devem se submeter à qualificação médica. Deixamos assim de contribuir com a ditadura cubana — disse o presidente, levando a delegação cubana a deixar o recinto.

Bolsonaro, que protagonizou um bate-boca público com Emmanuel Macron, não citou o nome do presidente francês em meio aos incêndios na Amazônia, mas rebateu críticas de outros países e criticou interesses externos “disfarçados de boas intenções”. O presidente brasileiro afirmou que qualquer iniciativa de ajuda ou apoio à preservação da floresta devia ser tratado em pleno respeito à soberania brasileira.

Ao rebater críticas à política ambiental brasileira, o presidente disse é uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da Humanidade e que representa o pulmão do mundo e deplorou que “outro país”, baseado em “mentiras da imprensa internacional tenha se portado de forma desrespeitosa e colonialista, atacando nossa soberania”. O presidente destacou que 14% do território do país são compostos por áreas de proteção aos indígenas.

— Nossos nativos são seres humanos — disse, acusando algumas organizações não governamentais de quererem tratar os indígenas como “homens das cavernas”.

Segundo o presidente, “alguns caciques são usados como peça de manobra por governantes”.

— Acabou o monopólio do senhor Raoni — afirmou.

O presidente disse ainda que enquanto França e Alemanha usam mais de 50% de seu território para agricultura, o Brasil usa apenas 8% para produção do alimento.

Após protagonizar polêmicas com outros líderes mundiais e se tornar alvo a desconfiança internacional, o presidente brasileiro prometeu fazer um pronunciamento “conciliador”, em que não vai “apontar o dedo” para nenhum chefe de Estado ou governo.

Além da política ambiental — que inclui a negação de desmatamento, críticas a ONGs e defesa da exploração econômica de terras indígenas e de áreas de preservação — pesam contra Bolsonaro declarações sobre direitos humanos, a defesa da ditadura militar e até mesmo suas reações intempestivas às críticas.

Recentemente, o presidente francês, Emannuel Macron , a chanceler alemã, Angela Merkel , e a comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet , foram alvos de ataques de Bolsonaro, que ganharam repercussão na imprensa mundial.

O presidente também deve usar seu tempo de exposição na ONU para pregar contra a esquerda , e dedicará parte de sua fala a criticar o regime de Nicolás Maduro , da Venezuela, e Cuba.Neste sentido, antes mesmo de o pai subir na tribuna da ONU, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, espécie de “chanceler informal” do presidente brasileiro, afirmou no Twitter que ele deveria “quebrar a espiral do silêncio e demonstrar o desconforto dos brasileiros com as pautas que a esquerda progressista tenta empurrar goela abaixo via ONU”.

“É preciso relembrar o porquê da ONU existir: não se trata de um órgão regulador mas sim de um instrumento que visa garantir o respeito às soberanias nacionais e a estabilidade mundial”, acrescentou o filho do presidente, que deve indicá-lo ao posto de embaixador nos EUA.

Por EXTRA

 

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