terça-feira, 3 de novembro de 2026.
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Sífilis congênita cresce 37,5% em Manaus

MANAUS (AM) — Manaus registra aumento de 37,5% nos casos de sífilis congênita em 2026. A média mensal saltou de 24 para 33 notificações, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Diante do avanço, a Prefeitura reforçou, durante a campanha Outubro Verde, o alerta para a importância do pré-natal completo e da testagem precoce.

O crescimento também aparece entre gestantes. A média passou de 198 casos por mês em 2025 para 208 em 2026, alta de 5,1%. O dado indica maior circulação da bactéria e, portanto, maior risco de transmissão vertical, da mãe para o bebê.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria *Treponema pallidum*. Quando não tratada na gravidez, pode provocar aborto, parto prematuro, alterações neurológicas, surdez, cegueira e problemas no desenvolvimento da criança.

Aumento acende alerta na rede municipal

Para a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o diagnóstico rápido e o início imediato do tratamento são decisivos para interromper a cadeia de transmissão. Segundo Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, ISTs e Hepatites Virais, quanto mais cedo a gestante é tratada, menor a chance de complicações para o bebê.

A infecção tem cura e o tratamento adequado durante a gestação previne a transmissão. No entanto, o tempo faz diferença. Quanto mais tarde a terapia começa, maior o risco de sequelas.

Três testes durante a gestação em Manaus

Desde março de 2026, Manaus ampliou o protocolo nacional. Enquanto o Ministério da Saúde recomenda exame no primeiro e no terceiro trimestre, a Semsa orienta a realização de três testes para sífilis durante a gravidez, um em cada trimestre.

A estratégia busca identificar infecções recentes, casos em que o primeiro exame não detectou a bactéria e reinfecções causadas por parceiros que não foram tratados. O diagnóstico é feito por teste rápido, gratuito nas unidades da rede municipal, com uma gota de sangue e resultado em cerca de 30 minutos.

A orientação é que a mulher que planeja engravidar ou que já está grávida procure a unidade de saúde o quanto antes para iniciar o pré-natal. O exemplo vem da zona sul. A instrumentadora cirúrgica Sayuri Itou, de 23 anos, começou o acompanhamento dias após descobrir a primeira gestação na Unidade de Saúde da Família Benedito Almeida. Ela e o marido testaram negativo para ISTs logo no início.

Por que o tratamento é abandonado

Um dos principais desafios é a interrupção do esquema terapêutico. Em alguns casos, são necessárias três aplicações de penicilina, com intervalo de sete dias. Se a pessoa não retorna, o tratamento precisa ser reiniciado.

A melhora dos sintomas após a primeira dose contribui para o abandono, mas o desaparecimento das lesões não significa cura. A Semsa reforça que todas as doses devem ser feitas e que o tratamento dos parceiros sexuais é indispensável para evitar reinfecção durante a gravidez.

Além do pré-natal, a secretaria recomenda testagem regular para quem tem vida sexual ativa e uso de preservativo como forma de reduzir o risco de infecção.