Abacaxi de Novo Remanso prospecta novos mercados internacionais

As exportações, interrompidas no ano passado por conta da pandemia, devem retornar ainda no segundo semestre deste ano. (Foto: Divulgação)

Em 2020, o abacaxi de Novo Remanso, comunidade agrícola do município de Itacoatiara (localizado a 270 km de Manaus), ultrapassou as fronteiras brasileiras e abasteceu a Espanha e a Bélgica. A encomenda de cinco contêineres pelos países europeus representou um alívio para os agricultores, que enfrentavam sucessivos cancelamentos de encomendas, mas o contrato internacional foi interrompido por causa do prolongamento da pandemia. Agora, os empresários retomaram as negociações e contam com perspectivas de exportar, ainda no segundo semestre deste ano, para clientes cobiçados, como a gigantesca China. Para potencializar as negociações, buscam apoio político e governamental, como o do presidente do Partido Republicano da Ordem Social (PROS-AM), dr. Mike Ezequias.

As empresas amazonenses, que operam com a venda do abacaxi em forma de polpa, recebem há dois meses consultoria virtual da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), a fim de identificar potenciais compradores internacionais para os frutos amazônicos. A Apex prospectou novos mercados na Europa, Estados Unidos e China. O contrato com este último país está na iminência de ser assinado. A divulgação também foi intensificada na América do Sul. Países como Argentina e Paraguai demonstraram interesse em fechar negócios para adquirir os produtos de Novo Remanso.

“No ano passado, as vendas caíram sensivelmente. Nosso principal cliente, os governos municipais e o estadual deixaram de adquirir produtos do setor primário para compor a merenda escolar em decorrência do cancelamento das aulas presenciais. O comércio internacional absorveu parte desta produção, mas, infelizmente, a trading (instituição que representa diversas empresas) cancelou os contratos por causa da pandemia. Agora, estamos confiantes de que as exportações voltem a ocorrer e se mantenham beneficiando as empresas e, por consequência, os produtores de Novo Remanso”, explicou o proprietário da empresa de polpas Unifruti, Claudimar Mendonça.

Abacaxi doce

A espécie do abacaxi de Novo Remanso, conhecida por turiaçu, chegou ao Amazonas há cerca de 20 anos. As mudas foram trazidas do município de Turiaçu, localizado no estado do Maranhão, por duas famílias que se instalaram na comunidade agrícola amazonense.

O fruto se adaptou rapidamente à terra e ao clima da região. No ano de 2000, a produção oscilava de 3 a 5 milhões de abacaxis. Por hectare, a média era de 10 mil pés. No ano passado, a safra apresentou o melhor indicador. Por hectare, os agricultores plantaram 35 mil pés, que proporcionaram 70 milhões de frutos de abacaxi.

A produção abundante e permanente conquistou os mercados internacionais por sua extrema doçura. Até então, os grandes centros eram abastecidos com a espécie de abacaxi pérola, que é muito cítrica. No Levantamento Sistemático de Produção Agrícola de 2019, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amazonas ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de abacaxi no Brasil. O estado vizinho, o Pará é o maior produto nacional com 426.780 milhões de frutas. Paraíba ocupa a segunda colocação com 334.880 milhões enquanto Minas Gerais está no terceiro lugar com a produção anual de 192.189 milhões de abacaxis.

O presidente do PROS-AM conheceu a produção de abacaxis, que mobiliza em Novo Remanso mais de 1.300 produtores rurais e agroindústrias como a Unifruti. Eles buscam apoiam para a prospecção de novos mercados, que possibilitem o fechamento de negócios, dando mais qualidade de vida ao homem do campo. “Vamos atuar no sentido de auxiliar estes empresários a darem visibilidade a este tipo de abacaxi, que tem qualidade excepcional. A participação em feiras internacionais, onde é possível falar diretamente com os compradores, vai acelerar as vendas, elevando os ganhos de toda a cadeia produtiva do abacaxi. Ganhando mais, o agricultor fica no campo, cuidado da sua propriedade e família, alimenta os habitantes da capital; e o êxodo rural, que traz prejuízos para todos deixa de acontecer”, declarou dr. Mike Ezequias.

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