domingo, 26 de julho de 2026.
Início Segurança Pública Diretor da PF diz que facções não devem ser tratadas como terroristas

Diretor da PF diz que facções não devem ser tratadas como terroristas

BRASÍLIA (DF) — O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (5) que considera inadequado enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, o crime organizado no país possui características próprias e exige estratégias de enfrentamento diferentes das utilizadas em ações antiterrorismo.

A declaração foi dada durante debates sobre segurança pública e cooperação internacional no combate às organizações criminosas. Para Rodrigues, associar grupos criminosos ao terrorismo pode provocar distorções jurídicas e operacionais, além de comprometer a eficácia das investigações conduzidas pelas forças de segurança.

O diretor da PF ressaltou que facções atuam principalmente com foco econômico, explorando atividades ilegais como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, armas e controle territorial. Na avaliação dele, o terrorismo possui motivações distintas, geralmente ligadas a objetivos políticos, ideológicos ou religiosos.

Rodrigues também destacou que o Brasil já possui instrumentos legais capazes de combater organizações criminosas sem necessidade de alterar a classificação jurídica desses grupos. Ele defendeu o fortalecimento da inteligência policial, da integração entre estados e do rastreamento financeiro como medidas mais eficazes para enfraquecer as facções.

A discussão sobre o tema ganhou força após pressões de setores políticos e de autoridades estrangeiras favoráveis ao enquadramento de facções brasileiras em legislações antiterrorismo. Especialistas em segurança pública, porém, divergem sobre os impactos práticos dessa mudança.

Integrantes da área jurídica alertam que a ampliação do conceito de terrorismo pode abrir espaço para interpretações mais amplas da legislação penal brasileira. Já defensores da proposta afirmam que o enquadramento poderia ampliar mecanismos de cooperação internacional e endurecer punições contra líderes criminosos.

Nos últimos anos, facções ampliaram influência em diferentes regiões do país, especialmente em rotas do tráfico internacional de drogas e em áreas de fronteira. O avanço dessas organizações tem pressionado governos estaduais e autoridades federais a reforçarem operações integradas de segurança.