
MANAUS (AM) — A transferência de policiais militares custodiados foi concluída na tarde desta terça-feira, 12, no Amazonas. Mais de 70 agentes foram relocados do antigo Núcleo Prisional da PM, na zona norte de Manaus, para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), na rodovia BR-174, zona rural da capital.A operação, batizada de Sentinela Maior, teve início nas primeiras horas da manhã e enfrentou atraso de aproximadamente seis horas, além de protestos de familiares dos detentos. A ação é coordenada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), em conjunto com a Polícia Militar (PMAM) e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), e mobilizou mais de 100 agentes de segurança.
Contexto: fuga motiva mudança de unidade
A transferência marca a desativação definitiva do Núcleo Prisional da PMAM, estrutura provisória que funcionava no bairro Monte das Oliveiras. A medida foi acelerada após a fuga de 23 policiais militares registrada em 27 de fevereiro, episódio que gerou investigações e mudanças na gestão do sistema.
Segundo a PMAM, 18 dos 23 foragidos retornaram espontaneamente na noite do incidente. No dia seguinte, a corporação informou que a situação havia sido regularizada. O caso, porém, resultou na prisão de dois policiais suspeitos de facilitar a evasão e do então responsável pelo núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales — excluído da corporação por decreto do governador Wilson Lima.
Nova unidade: estrutura e segurança
A UPPM/AM passa a operar no prédio que abrigou a antiga Penitenciária Feminina de Manaus e, mais recentemente, o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
De acordo com a Seap, a nova unidade foi projetada para funcionar como estabelecimento prisional formal da PM, com regras administrativas próprias, maior controle de acesso e reforço nos protocolos de segurança. O espaço destina-se exclusivamente a praças da corporação — soldados, cabos, sargentos e subtenentes.
Protestos e logística da operação
Durante a transferência, familiares dos custodiados realizaram manifestações em frente ao antigo núcleo e no trajeto dos ônibus. Houve confronto verbal com equipes do Batalhão de Choque e do Comando de Policiamento Especializado (CPE), mas sem registro de incidentes graves, segundo as autoridades.
Os detentos foram distribuídos em três veículos blindados, com escolta reforçada por equipes do Rocam e da Força Tática. Com a conclusão da remoção, a desativação física e administrativa do antigo núcleo deve ser finalizada nos próximos dias.
Próximos passos e investigações
O Ministério Público do Amazonas acompanha a operação e deve emitir parecer sobre a regularidade do procedimento. A PMAM não informou, até a última atualização desta reportagem, se oficiais presos também serão transferidos para a nova unidade.
A Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) mantém procedimentos abertos para apurar responsabilidades relacionadas à fuga de fevereiro. As investigações devem subsidiar eventuais medidas disciplinares e ajustes nos protocolos de custódia da corporação.


