
São Paulo — O Novo Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas lançado na segunda-feira (4), enfrentou um travamento operacional em seu primeiro dia de funcionamento. Apesar da expectativa de que bancos iniciassem as renegociações nesta terça-feira (5), questões burocráticas no Fundo Garantidor de Operações (FGO) — peça-chave para garantir juros reduzidos — atrasaram o início das operações.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou em nota que a infraestrutura do FGO estaria pronta para rodar a partir das 18h desta terça. A informação foi repassada pela entidade após comunicação do Ministério da Fazenda, que publicou por volta das 15h15 a portaria regulamentando o uso dos recursos do Fundo. O Ministério confirmou a liberação do sistema às 18h50.
O FGO, gerido pelo Banco do Brasil, funciona como fiador dos novos empréstimos de renegociação, permitindo que bancos ofereçam condições mais favoráveis aos devedores. Para entrar em operação, porém, o Fundo precisava de aprovação do próprio conselho de administração e de assembleia convocada pelo Ministério do Desenvolvimento, com representação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A despeito do anúncio da Febraban, o g1 consultou diversos bancos ao longo do dia e nenhum confirmou uma data exata para iniciar as renegociações. A entidade bancária admitiu que o programa ganhará “celeridade gradual”, diante da dimensão e complexidade operacional de uma iniciativa que mira repactuar R$ 100 bilhões em dívidas e alcançar 27 milhões de brasileiros.
Os maiores bancos do país confirmaram adesão: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Santander e Nubank. Cada instituição adotou uma estratégia diferente para receber os clientes. A Caixa já disponibilizou atendimento por telefone, agências, site e WhatsApp. O Nubank anunciou que a renegociação ocorrerá integralmente no aplicativo. Bradesco e Itaú criaram formulários de pré-cadastro para manifestação de interesse, mas aguardam finalização de questões técnicas de conexão com o FGO. O Santander informou ter “condições diferenciadas” também para clientes que não se enquadrem nos critérios do programa.
As regras do Desenrola 2.0 estabelecem renda máxima de cinco salários mínimos (R$ 8.105,00),dívidas de cartão, cheque especial ou CDC contratadas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 90 dias e dois anos. Os descontos variam de 30% a 90%, por banco.
Quem aderir ao programa terá o CPF bloqueado em casas de apostas por 12 meses e poderá usar recursos do FGTS — 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que for maior — para amortizar ou quitar a dívida renegociada.


