quinta-feira, 13 de agosto de 2026.
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Incêndios simultâneos atingem Zona Norte e Centro-Sul de Manaus

MANAUS (AM) — A quarta-feira (12) começou a escurecer em Manaus como qualquer outra. Mas pouco depois das 19h, o céu de três bairros distintos ganhou a mesma cor laranja.

Na Colônia Terra Nova, na Zona Norte, o cheiro de fumaça invadiu primeiro os fundos dos comércios. Depois, as chamas. Comerciantes que haviam fechado as portas minutos antes voltaram a correr — não para casa, mas para tirar mercadorias do caminho do fogo. A vegetação seca, tão comum nos terrenos baldios da região, serviu de combustível. Ninguém sabe quem — ou o quê — acendeu a primeira faísca.

A cerca de oito quilômetros dali, no bairro Cidade de Deus, moradores gravaram vídeos em que o tom de pânico é quase tangível. As chamas subiam por trás de uma residência, lambendo o céu noturno, enquanto vizinhos gritavam orientações uns para os outros. O fogo ali também começou na mata. E também ninguém sabe por quê.

Mas foi em Adrianópolis, bairro de classe média da Zona Centro-Sul, que a situação mais se aproximou da tragédia. O segundo andar de uma casa pegou fogo. Antes que as viaturas do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) chegassem, quem estava no local tentou conter o incêndio da única forma que tinha: com baldes de água. Imagens feitas por celulares mostram a cena quase medieval — homens e mulheres em fila, passando recipientes, enquanto o fogo crescia por cima deles.

Não houve feridos. Pelo menos é o que se sabe até agora.

O CBMAM confirmou que enviou equipes para os três locais. Mas, até a publicação desta reportagem, não havia divulgado balanço oficial, nem hipóteses sobre as causas, nem mesmo se os três focos poderiam estar relacionados — por ação criminosa, faísca acidental ou condições climáticas.

Manaus vive período de estiagem. A umidade do ar despenca entre julho e novembro, e a capital amazonense registra todo ano dezenas de incêndios em áreas urbanas, muitos deles em terrenos abandonados que viram depósito de lixo e entulho. O cenário é conhecido. O risco, também. O que falta, segundo moradores, é prevenção.

“Se não fosse a gente tirando as coisas, o fogo tinha entrado na loja”, disse um comerciante da Colônia Terra Nova, que preferiu não se identificar. Ele estava entre os que retiraram mercadorias enquanto esperavam ajuda.

Nenhum dos três bairros é vizinho do outro. Os incêndios não parecem ter se propagado entre si. E, ainda assim, por algumas horas na noite de quarta-feira, Manaus parecia pegar fogo de todos os lados ao mesmo tempo — e sozinha.