
Há exatos 30 anos, o Brasil dava um passo histórico rumo ao aperfeiçoamento da democracia ao implantar a urna eletrônica, tecnologia que revolucionou a forma de votar, apurar e garantir a vontade soberana do povo brasileiro. O que começou em 1996 tornou-se uma das maiores referências mundiais em segurança, transparência e eficiência eleitoral. Em diversos Tribunais Regionais Eleitorais do país foram realizadas celebrações alusivas à data, notadamente no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, que festejou o marco histórico no último dia 13 de maio de 2026, reafirmando a importância da Justiça Eleitoral brasileira na consolidação democrática do país. É importante que se diga que a urna eletrônica não apenas modernizou o processo eleitoral, mas praticamente eliminou antigas práticas fraudulentas que marcaram eleições no passado, como manipulação de cédulas, fraudes em boletins e intermináveis contagens manuais.
Antes da informatização do voto, o processo eleitoral brasileiro era cercado por desconfianças, demora na totalização e inúmeros questionamentos. A implantação da urna eletrônica trouxe celeridade e segurança, permitindo que milhões de votos sejam apurados em poucas horas, com eficiência admirável em um país de dimensões continentais. Enquanto algumas nações consideradas desenvolvidas ainda enfrentam dificuldades relacionadas à apuração manual, suspeitas sobre votos em papel e controvérsias envolvendo resultados eleitorais, o Brasil consolidou um modelo moderno, reconhecido internacionalmente e constantemente aperfeiçoado.
Necessário se faz registrar que a confiabilidade da urna eletrônica não decorre apenas do discurso institucional, mas da experiência concreta acumulada ao longo de três décadas de eleições realizadas com estabilidade e segurança. O sistema eleitoral brasileiro é submetido a sucessivos mecanismos de auditoria e fiscalização, permitindo acompanhamento por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e entidades fiscalizadoras. Há testes públicos de segurança, conferência dos boletins de urna e diversos mecanismos de verificação que fortalecem ainda mais a credibilidade do processo eleitoral.
Dentro dessa lógica, celebrar os 30 anos da urna eletrônica também significa reconhecer o trabalho silencioso e essencial dos servidores da Justiça Eleitoral, verdadeiros pilares desse gigantesco processo democrático. São homens e mulheres que, com dedicação e espírito público, garantem que a eleição aconteça até nos locais mais distantes do Brasil. Merecem igualmente aplausos os mesários voluntários, magistrados eleitorais, membros do Ministério Público Eleitoral, advogados, forças policiais e todos aqueles que contribuem para a realização de eleições seguras, organizadas e legítimas.
Vivemos tempos em que a desinformação tenta enfraquecer instituições democráticas em várias partes do mundo. Por isso, defender a urna eletrônica é também defender a democracia, o respeito ao voto popular e a estabilidade institucional. Evidentemente, todo sistema pode ser aperfeiçoado, e o debate técnico sempre será legítimo. Contudo, jamais se pode permitir que narrativas sem comprovação obscureçam uma trajetória construída com seriedade ao longo de décadas.
Finalmente, os 30 anos da urna eletrônica representam muito mais do que a celebração de um equipamento tecnológico. Representam a vitória da modernização, da transparência e da confiança popular no processo democrático brasileiro. O Brasil mostrou ao mundo que é possível realizar eleições céleres, auditáveis, eficientes e seguras, fortalecendo a soberania popular e consolidando um dos mais respeitados sistemas eleitorais das Américas.
Fábio de Souza Pereira — é Professor, servidor da Justiça Eleitoral, mestre em direito, presidente da ASSTRE/PB – Associação dos Servidores da Justiça Eleitoral da Paraíba, membro da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, e autor de livros e artigos.


