Profissionais da saúde são demitidos após protesto por melhores condições no 28 de Agosto

Ex-funcionários exonerados a cerca de um ano, sem receber os direitos trabalhistas e com rescisões não homologadas, foram impedidos de receber o Auxílio Emergencial do Governo Federal. ─ Foto: Sérgio Rodrigues

Após manifestação cobrando melhores condições para atender os pacientes com coronavírus (Covid-19), em frente ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, 13 profissionais da saúde foram afastados dos seus serviços pela direção. A ação pedindo equipamentos de proteção individual (EPI’s) aconteceu na manhã da segunda-feira (27). No mesmo dia, os três enfermeiros e 10 técnicos de enfermagem, foram afastados.

Os profissionais do Hospital 28 de Agosto estão recebendo e tratando casos de pacientes infectados por Covid-19 desde março. A manifestação foi realizada após longos pedidos de equipamentos de proteção individual (EPI’s). De acordo com Tatiane Sousa, que trabalhava na unidade desde fevereiro de 2017, é necessário o equipamento para proteção do profissional e atendimento seguro ao paciente.

“O hospital tem em todos os andares pacientes com Covid-19 e nossos colegas estão adoecendo porque não recebem os EPI’s adequado para realizar assistência. Nós perdemos quatro colegas de trabalho e foram pessoas que estavam na linha de frente, diretamente. Se estamos perdendo os nossos colegas, está tendo falha, certo? E a falha é a falta de EPI”, disse a enfermeira.

No mesmo dia da manifestação, três enfermeiros e dez técnicos de enfermagem que participaram da manifestação, foram afastados por Alessandra dos Santos, diretora do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, e devolvidos para a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), já que são efetivados.

Imagem: Reprodução

“Nós estamos entrando com ação coletiva para que isso não aconteça, mas o nosso sentimento é de impotência. Porque buscamos melhorar a qualidade da assistência de enfermagem, em bem comum ao paciente, de maneira alguma, estamos pensando apenas no bem próprio. Queremos fazer o melhor, proporcionar aos pacientes uma qualidade de atendimento melhor, porque eles já estão sem acompanhante durante o tratamento”, explicou Tatiana.

A enfermeira trabalhava no 5º andar do hospital, que possui 36 leitos para pacientes com Covid-19. “Como que eles dizem que falta recursos humanos e agora estão devolvendo funcionários? A Susam recebendo essa solicitação da direção do Hospital 28 de Agosto pode nos colocar em outra unidade de saúde ou não. Por enquanto, seguimos afastados e existem pessoas que estão precisando do nosso conhecimento. Somos profissionais da saúde, estamos na linha de frente e precisamos estar lá para cuidar de quem está doente, não podemos abandonar essas pessoas”, falou.

Reportagem: Anamaria Leventi/D24AM

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