Presa advogada apontada como ‘braço jurídico’ do Comando Vermelho

As investigações iniciaram após uma estagiária solicitar um celular avaliado em R$ 3,3 mil a um advogado para fazer algum serviço na vara de Execuções Penais. | Imagem: Divulgação

A advogada Jackeline Moreira Martins Pacheco, presa na última terça-feira (26), em decorrência de investigações de falsificação de documentos para remissão de pena de condenados da Justiça, foi apontada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) como “braço jurídico” da facção criminosa Comando Vermelho.

As investigações tiveram origem a partir de informações recebidas da 2ª Vara Criminal de Cuiabá. O juiz Geraldo Fidelis, teria tomado conhecimento sobre o esquema por mensagens de WhatsApp, após uma estagiária da Vara teria solicitado um celular avaliado em R$ 3,3 mil a um advogado para fazer algum serviço na vara de Execuções Penais. O magistrado então procurou o desembargador Orlando Perri e o juiz Luiz Otávio Sabóia, antes de denunciar o esquema.

A polícia Civil cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra Jackeline na manhã de ontem, e também mandados de prisão contra três clientes dela, que já cumprem penas em unidades prisionais.

O grupo criminoso seria formado por advogados, bacharéis em Direito, servidores públicos, estagiários e recuperandos e tinha o intuito de fraudar a remissão de pena de detentos, por meio de atestados falsos que estariam sendo vendidos por até R$ 15 mil.

Os presos teriam sido beneficiados por atestados emitidos pelo Senai e por atestados de leitura na prisão.Ao todo, 35 processos de execução de pena foram considerados com remissão suspeita.

A Polícia Civil teria interceptado conversas entre a advogada Jackeline Moreira e o preso Josimar Gomes Amado, conhecido como “Formiga”, integrante do Comando Vermelho. Eles teriam conversado sobre um atestado do Senai que seria utilizado em favor de Formiga. Por causa disso a juíza considerou o envolvimento da advogada com a facção criminosa, sendo o “braço jurídico” da organização.

O Ministério Público de Mato Grosso, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deu parecer favorável à prisão. Além disso também citaram que Jackeline já foi presa por suposto envolvimento com criminosos do “novo cangaço”, apesar de ter sido absolvida.

A advogada já foi ouvida pela juíza Ana Cristina, em audiência de custódia. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) se manifestou dizendo que “sobre a prisão da advogada, o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para apurar a conduta ético-profissional”. Sobre procedimentos antigos, em tramitação, a OAB disse que todos correm em sigilo.

Por EMTEMPO

 

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