
MANAUS (AM) — As altas temperaturas registradas em Manaus nos últimos dias aumentam a atenção com a saúde de gestantes. A exposição prolongada ao calor extremo está associada ao aumento do risco de parto prematuro, desidratação e elevação da pressão arterial, segundo estudos nacionais e internacionais.
O alerta vale principalmente para quem está no terceiro trimestre da gravidez, período considerado mais sensível aos efeitos do estresse térmico.
Por que o calor afeta a gravidez
O corpo da gestante já trabalha com maior volume de sangue e dificuldade para regular a temperatura. Quando há onda de calor, o risco de desidratação cresce e pode reduzir o fluxo sanguíneo uterino, favorecendo contrações antes do tempo.
Pesquisas mostram que uma onda de calor nos quatro dias anteriores ao parto pode ter maior impacto que nos sete dias anteriores, e quanto maior a duração da onda em dias, maior o seu impacto. Em um dos modelos analisados, quatro dias consecutivos de calor elevaram a razão de risco para parto prematuro.
No Brasil, o cenário preocupa. Em média, as gestantes brasileiras estão expostas a 27 dias extra de calor extremo por ano, com variações entre as cidades. Especialistas destacam que um único dia de calor extremo já é suficiente para aumentar os riscos de complicações graves na gravidez.
O que diz a ciência sobre prematuridade e calor
Levantamento da organização Climate Central aponta que as gestantes enfrentam em média um mês a mais de calor perigoso por ano em quase um terço dos países analisados. A América Latina aparece entre as áreas mais afetadas.
No Piauí, pesquisa apoiada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) com gestantes de Teresina mostrou que as mulheres relatam medo de parto prematuro, desmaio, falta de ar e piora da ansiedade durante períodos de calor intenso.
Orientações para gestantes
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), orienta que idosos, crianças e mulheres grávidas são grupos vulneráveis e merecem mais atenção em ondas de calor.
As principais recomendações são:
- Hidratação constante: a sudorese da gestante aumenta e o risco de desidratação também, o que pode causar queda de pressão. Beba de dois a três litros de água por dia, além de água de coco e sucos naturais
- Evitar sol entre 10h e 16h: a exposição prolongada e sem proteção pode causar insolação
- Roupas leves e alimentação leve: prefira roupas claras, protetor solar e alimentos frescos e bem higienizados, pois o calor favorece a proliferação bacteriana
- Ambiente arejado: permaneça em locais ventilados e evite esforço físico nos horários mais quentes
Em caso de sintomas como dor de cabeça intensa, inchaço, sangramento, contrações regulares antes de 37 semanas, tontura ou falta de ar, a orientação é procurar imediatamente a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou maternidade de referência. Esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação médica.









