
MANAUS (AM) — A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) ampliou as investigações sobre o esquema de fraudes nos cartões de meia-passagem estudantil em Manaus com a prisão de mais dois suspeitos. As detenções, realizadas nesta semana, integram a Operação Meia Verdade, que apura a atuação de um grupo criminoso especializado em inserir cadastros falsos no sistema de transporte público para conceder o benefício de forma irregular.
Segundo as apurações, os criminosos utilizavam empresas e instituições de ensino fictícias para viabilizar os cadastros. A fraude foi detectada em dezembro de 2025, quando o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) identificou um volume anômalo de inscrições vinculadas a escolas — muitas das quais sequer existiam.
Prejuízo milionário ao sistema
O impacto financeiro da ação criminosa já é calculado pelo setor. De acordo com o Sinetram, o prejuízo anual causado pelo esquema chega a cerca de R$ 4 milhões. Em uma estimativa mais ampla, considerando subsídios e outros desdobramentos, o valor pode alcançar R$ 6 milhões.
“O grupo causou um impacto de cerca de R$ 6 milhões no pagamento de subsídios, que acabam sendo arcados pela população”, afirmou Tarcío Marques, gerente de operações do sindicato.
Primeira fase prendeu quatro pessoas em janeiro
A Operação Meia Verdade teve início em 15 de janeiro, quando quatro pessoas foram presas na primeira fase. Dias depois, em 19 de janeiro, um casal apontado como mentor do esquema também foi detido. As prisões mais recentes representam um novo desdobramento das investigações, que continuam em andamento.
O delegado Charles Araújo, responsável pelas apurações na primeira fase, explicou na ocasião como o golpe funcionava. “A fraude foi detectada em dezembro de 2025, quando o Sinetram identificou um volume atípico de inscrições vinculadas a escolas, muitas das quais eram fictícias ou inexistentes”, afirmou.
Segundo a polícia, os criminosos anunciavam a venda do benefício em redes sociais, prometendo a liberação do cartão de meia-passagem para pessoas que não tinham direito ao benefício. O cadastro era feito por meio de empresas e instituições de ensino inventadas, que alimentavam o sistema público com informações falsas.
Crimes e próximos passos
Os investigados devem responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistemas de informação. A Polícia Civil não descarta novas prisões à medida que as investigações avançam.
O caso reforça os desafios enfrentados pelo sistema de transporte público da capital no controle de benefícios sociais e na fiscalização de cadastros, especialmente diante da constatação de que o esquema operava por meio de estruturas empresariais e educacionais inteiramente fictícias.


