Início Política ‘Pena que não foi na Indonésia’, diz Bolsonaro sobre prisão de militar...

‘Pena que não foi na Indonésia’, diz Bolsonaro sobre prisão de militar com 39 kg de cocaína

Manoel Silva Rodrigues é réu por tráfico de drogas no Brasil, e o valor estimado do tráfico é de R$ 6,3 milhões segundo o Ministério Público Militar.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar nesta sexta-feira sobre o caso do militar da Força Aérea Brasileira (FAB) preso na Espanha com 39 kg de cocaína e afirmou ter sido uma “pena” o episódio não ter ocorrido na Indonésia. No país do sudeste asiático, há punição com pena de morte para o tráfico de drogas, diferentemente do que ocorre em territórios espanhol e brasileiro. Bolsonaro também mencionou o caso do carioca Marco Acher, fuzilado em 2015 após ter sido condenado por tentar entrar no arquipélago com 13 kg de cocaína.

A morte de Acher ocorreu 11 anos após a prisão dele. O brasileiro foi pego ao tentar entrar no Aeroporto Internacional de Jacarta com entorpecentes escondidos no tubo de uma asa delta. Antes da execução, a então presidente Dilma Rousseff (PT) fez um apelo ao presidente indonésio Joko Widodo, mas não foi atendida.

No caso do segundo sargento Manoel Silva Rodrigues, preso na terça-feira enquanto integrava a equipe de apoio da comitiva de Bolsonaro, o próprio presidente já afirmou ter pedido por investigação e punição severa. Rodrigues está preso na capital da Andaluzia e as investigações na esfera do Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia (TSJA) ainda estão em fase inicial. No Brasil, a investigação está a cargo de um inquérito policial-militar (IPM) instaurado pela Aeronáutica. A Força Aérea colocou o IPM em sigilo. Tem 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, para finalizar o inquérito.

Fora da agenda
Em dezembro do ano passado, O GLOBO entrevistou um dos filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), sobre o interesse dele em visitar o complexo prisional de Nusakanbangan, na Indonésia, onde Acher foi fuzilado. Além dele, o brasileiro Rodrigo Gularte acabou executado no local pelo mesmo motivo, também em 2015.

Pouco após a eleição do pai, Eduardo defendeu que o Congresso deveria discutir ainda no primeiro semestre deste ano a possibilidade de o Brasil passar a adotar pena de morte para crimes hediondos e tráfico de drogas, como faz a Indonésia. Ele também cogitou a realização de um plebiscito sobre o tema (“Se o povo aprovar, vira lei”), mas acabou corrigido pelo presidente.

— Ele (Eduardo) foi na Indonésia ver como que diminuiu a violência lá e foi implementada a pena de morte lá, mas não é nossa intenção até porque sabemos que está em cláusula pétrea (da Constituição) — explicou Bolsonaro, após a repercussão da fala do filho.

O presidente, recém-eleito naquela ocasião, garantiu que não trataria do tema em seu governo:

— A pena de morte não está no nosso plano, não está em nosso programa, não foi debatida durante a campanha e, enquanto eu for presidente, de minha parte, não teremos essa agenda — afirmou.

Por EXTRA