sábado, 18 de julho de 2026.
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Pastores acusados de abuso sexual criaram regra de expulsão para silenciar vítimas

BOA VISTA (RR) – Dois líderes religiosos de uma igreja evangélica em Boa Vista, Roraima, são indiciados por uma série de crimes sexuais contra adolescentes e por terem criado regras internas para impedir que as vítimas denunciassem os fatos. Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, estão foragidos desde que o inquérito começou em abril, após a denúncia de uma menina de 14 anos.

A investigação da Polícia Civil descobriu que o estatuto da instituição, criado em agosto de 2021, trazia uma norma que previa a expulsão imediata de quem se rebelasse contra a liderança ou questionasse suas decisões. Para os fiéis, contrariar o pastor — que se apresentava como “ungido de Deus” — significava também ir contra a vontade divina, o que aumentava o medo de expor os abusos.

Como funcionava a manipulação

Conforme os investigadores, o casal usava da posição de autoridade e da fé das jovens para convencer que os atos sexuais seriam parte de um propósito espiritual. Foram identificadas seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos. Além da ameaça de exclusão da comunidade, eles também ofereciam benefícios financeiros e pediam a destruição de provas, como fotos e vídeos, para manter o silêncio.

Wenderson responde por seis delitos, entre eles estupro de vulnerável, registro não autorizado de imagens íntimas e fraude processual. Arielly é indiciada por estupro, importunação sexual e fraude. Uma terceira pessoa também foi responsabilizada por ajudar a apagar materiais que serviam de prova.

Em nota, a defesa afirma que o casal é inocente, tem bons antecedentes e ainda não teve acesso completo aos autos para se defender oficialmente. As autoridades seguem em busca do paradeiro dos dois, que podeM estar no Amazonas, onde o pastor tem familiares.