
MANAUS (AM) – A manhã deste sábado (28) começou de forma violenta para os usuários do transporte público na Zona Leste de Manaus, mas terminou com um desfecho inesperado. Por volta das 7h, dentro de um ônibus da linha 541 (Expresso Coroado), o grito de uma cobradora de 65 anos, agredida com socos por um assaltante, transformou passageiros em algozes.
O suspeito, identificado como Lucas Eduardo M., 27, subiu no coletivo na rua São Francisco, no bairro Coroado 3. Segundo o relatório policial, ao se aproximar da cobradora, ele não pediu a passagem: exigiu o dinheiro do caixa e o celular da funcionária. Diante da recusa ou da lentidão da vítima, partiu para a violência, desferindo golpes contra a idosa.
O que o criminoso não esperava era a reação imediata das pessoas que estavam no ônibus. Os gritos de socorro da cobradora ecoaram pelo coletivo e, em poucos segundos, os passageiros se levantaram para intervir. O homem foi cercado, imobilizado e, antes que a Polícia Militar chegasse, acabou amarrado com os próprios pés e mãos por aqueles a quem tentara roubar.
Quando a guarnição da viatura 1039 finalmente chegou ao local, encontrou uma cena incomum: o suspeito estava no chão, contido, mas com diversos hematomas pelo corpo – marcas do chamado “início de linchamento” sofrido durante a comoção.
Os policiais deram voz de prisão a Lucas Eduardo e, devido à agitação no local e ao risco de nova violência ou fuga, foi necessário o uso de algemas para conduzi-lo em segurança ao 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A cobradora, visivelmente abalada, também compareceu à delegacia para prestar depoimento e formalizar a denúncia.
O acusado agora está à disposição da Justiça e deve responder pelo crime de tentativa de roubo (Art. 157 do Código Penal). O episódio, além de expor a fragilidade da segurança nos coletivos da capital, reacende o debate sobre os limites da ação popular diante da criminalidade.


