
GAZA — Uma fralda feita de saco plástico. Ossos à mostra. Um olhar que implora por ajuda. Essa é a realidade brutal de Muhammad, um bebê palestino de Gaza que se tornou símbolo da fome que consome milhares no território sitiado.
Deslocados à força de casa, Muhammad e sua mãe vivem em uma tenda vazia — “parece um túmulo”, descreve Ahmed al-Arini, fotógrafo que capturou a imagem devastadora da criança. Ele precisou interromper os cliques várias vezes para conter as lágrimas e recuperar o fôlego. “As pessoas precisam ver o que está acontecendo aqui”, disse ele.
Fome, dor e esquecimento
O corpo magro, a pele esticada sobre ossos frágeis, o improviso doloroso de um saco plástico como fralda — tudo isso denuncia a escassez total de comida, assistência e humanidade.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 83 crianças já morreram de fome desde o início da guerra. E esse número cresce todos os dias.
A ONU alerta: uma em cada cinco crianças em Gaza já sofre de desnutrição severa. E agora, não são só os pequenos. Adultos e idosos também começam a desfalecer lentamente.
Um sistema de saúde em colapso, hospitais sem insumos, crianças à beira da morte.
O médico Hassan al-Shaer relata que a cada dia surgem novos casos de inanição. “Já não temos como tratar ninguém”, lamenta.
A resposta do mundo é lenta. A fome é rápida.
Enquanto isso, lançamentos aéreos de ajuda humanitária — frágeis, incertos — são tratados como solução. Mas muitas vezes os suprimentos caem no mar. Ou, pior: matam pessoas ao despencar do céu.
O mundo assiste. Mas ainda pode agir.
França, Reino Unido e Alemanha finalmente se pronunciaram: pedem cessar-fogo imediato, liberação dos reféns e acesso humanitário total.
A França irá reconhecer o Estado Palestino — um gesto simbólico, mas poderoso.


