quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026.
Início Mundo O bebê de Gaza que comoveu o mundo e revelou um horror...

O bebê de Gaza que comoveu o mundo e revelou um horror invisível

Com o corpo frágil e sem fralda, Muhammad virou símbolo de um povo que clama por ajuda. A fome em Gaza atinge níveis alarmantes.

GAZAUma fralda feita de saco plástico. Ossos à mostra. Um olhar que implora por ajuda. Essa é a realidade brutal de Muhammad, um bebê palestino de Gaza que se tornou símbolo da fome que consome milhares no território sitiado.

Deslocados à força de casa, Muhammad e sua mãe vivem em uma tenda vazia — “parece um túmulo”, descreve Ahmed al-Arini, fotógrafo que capturou a imagem devastadora da criança. Ele precisou interromper os cliques várias vezes para conter as lágrimas e recuperar o fôlego. “As pessoas precisam ver o que está acontecendo aqui”, disse ele.

Fome, dor e esquecimento
O corpo magro, a pele esticada sobre ossos frágeis, o improviso doloroso de um saco plástico como fralda — tudo isso denuncia a escassez total de comida, assistência e humanidade.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 83 crianças já morreram de fome desde o início da guerra. E esse número cresce todos os dias.

A ONU alerta: uma em cada cinco crianças em Gaza já sofre de desnutrição severa. E agora, não são só os pequenos. Adultos e idosos também começam a desfalecer lentamente.

Um sistema de saúde em colapso, hospitais sem insumos, crianças à beira da morte.
O médico Hassan al-Shaer relata que a cada dia surgem novos casos de inanição. “Já não temos como tratar ninguém”, lamenta.

A resposta do mundo é lenta. A fome é rápida.
Enquanto isso, lançamentos aéreos de ajuda humanitária — frágeis, incertos — são tratados como solução. Mas muitas vezes os suprimentos caem no mar. Ou, pior: matam pessoas ao despencar do céu.

O mundo assiste. Mas ainda pode agir.

França, Reino Unido e Alemanha finalmente se pronunciaram: pedem cessar-fogo imediato, liberação dos reféns e acesso humanitário total.
A França irá reconhecer o Estado Palestino — um gesto simbólico, mas poderoso.