sexta-feira, 20 de março de 2026.
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Imagens inéditas mostram queda da ponte JK em 2024

Um ano e três meses depois da tragédia que chocou o país, novas imagens vêm à tona para relembrar a dimensão do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, que liga os estados do Tocantins e Maranhão. Os vídeos, gravados por um dos caminhões que despencou na estrutura no dia 22 de dezembro de 2024, mostram em detalhes o momento exato do colapso — e a impotência diante da queda iminente.

As imagens, consideradas inéditas, capturam a perspectiva de quem estava dentro do veículo no instante em que a ponte cedeu. Elas oferecem um registro cru e impactante do acidente que vitimou ao menos 14 pessoas e deixou outras três desaparecidas.

O saldo da tragédia

O desabamento da ponte JK — como era conhecida — interrompeu a BR-226 na altura entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA) e deixou marcas profundas nas comunidades dos dois lados da divisa. Ao todo, 14 mortes foram confirmadas pelas autoridades. Três pessoas seguem desaparecidas até hoje, e apenas um sobrevivente foi resgatado com vida: Jair Silva Rodrigues, de 36 anos.

Entre as vítimas, estavam crianças e idosos, um retrato da diversidade de quem utilizava a estrutura centenária para viajar, trabalhar ou simplesmente atravessar o rio que separa os dois estados.

As buscas pelos desaparecidos foram realizadas de forma pontual, com o auxílio de lanchas, motos aquáticas e drones. A Marinha, na ocasião, chegou a proibir a entrada de mergulhadores na água, alegando falta de segurança para as operações de resgate.

Um ano depois: ponte nova, perguntas antigas

Exatamente um ano após a tragédia, em 22 de dezembro de 2025, uma nova ponte foi entregue para restabelecer o tráfego na BR-226. A estrutura, que substituiu a antiga, reatou a ligação entre Tocantins e Maranhão e trouxe alívio para quem dependia da via para o deslocamento diário.

No entanto, para as famílias das vítimas, o fechamento de um ciclo ainda não aconteceu. As investigações para apontar responsabilidades sobre o desabamento seguem em andamento, e as questões relacionadas a indenizações permanecem sem solução. Mais de um ano depois da tragédia, os parentes dos mortos e desaparecidos aguardam respostas que ainda não vieram.

O que dizem as investigações

Em julho de 2025, a Polícia Federal apresentou um laudo pericial que apontou múltiplos fatores para o colapso da ponte, inaugurada em 1961. Entre as causas elencadas estão:

  • Sobrecarga da estrutura, submetida a um volume de veículos superior ao projetado;

  • Deformação do concreto e perda da capacidade de resistência ao longo dos anos;

  • Acúmulo de veículos sobre o local no momento da queda;

  • Manutenção e reformas consideradas mal executadas.

O documento foi enfático ao atribuir responsabilidade à gestão da via: “foi decisão do operador da ponte em manter um tráfego superior ao projetado para a edificação, ao longo das últimas décadas de sua existência”. O operador citado é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O inquérito, segundo a PF, segue em andamento.

Posicionamento do Dnit

Em nota, o Dnit informou que colabora ativamente com todos os órgãos investigativos que atuam no caso. O departamento afirmou que foi aberta na Corregedoria uma Investigação Preliminar Sumária para apurar as causas do colapso da ponte JK, procedimento que deverá determinar os prejuízos decorrentes e a quantificação dos danos.

O órgão destacou ainda que contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) para produzir um relatório externo que irá apontar, de forma independente, as causas do desabamento.

Famílias no escuro

Enquanto a burocracia avança lentamente, as famílias das vítimas seguem no limbo. Sem respostas definitivas sobre as causas da tragédia, sem indenizações e, para os que perderam seus entes em águas que nunca foram totalmente vasculhadas, sem sequer a certeza de um sepultamento.

Os vídeos inéditos divulgados agora trazem de volta à memória coletiva o horror do dia 22 de dezembro de 2024 — e servem como um lembrete de que, para muitos, a travessia ainda não terminou.