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Guerra no Oriente Médio faz transportadora abandonar cargas brasileiras

A escalada da guerra no Oriente Médio começou a afetar diretamente as exportações brasileiras. A MSC (Mediterranean Shipping Company), maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, notificou clientes no Brasil, entre eles frigoríficos associados à Abiec, que cargas com destino a portos do Golfo Árabe terão a viagem interrompida.

Em comunicado, a empresa declarou “fim de viagem” (End of Voyage) para os contêineres em trânsito. As mercadorias serão descarregadas no porto seguro mais próximo e ficarão à disposição dos clientes, que terão de arcar com os custos de descarga, manuseio e armazenagem. A MSC também informou que cobrará uma sobretaxa de US$ 800 (cerca de R$ 4,2 mil) por contêiner.

Exportadores ouvidos pela reportagem disseram ter sido surpreendidos pela medida, classificada como inédita por um empresário do setor de carnes. A expectativa é de poucas alternativas legais diante das cláusulas contratuais do transporte marítimo.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o setor já observa impactos logísticos, com navios interrompendo rotas e cargas sendo desviadas. “O Oriente Médio funciona como um grande hub logístico para a carne bovina brasileira”, explicou. Segundo ele, as vendas diretas para a região somaram US$ 2 bilhões em 2025, mas o volume potencialmente afetado, considerando as cargas que transitam por lá, pode chegar a US$ 6 bilhões.

A decisão ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o risco de navegação em rotas estratégicas como o Canal de Suez e já pressiona o frete internacional. Procurada, a MSC não comentou o caso.