
Manaus (AM) — Uma funcionária terceirizada do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) denunciou dois servidores do órgão por importunação sexual. Brena Oliveira da Costa, tecnóloga em Recursos Humanos e deficiente auditiva, relatou que sofreu assédio durante mais de um ano nas dependências do tribunal, em Manaus.
De acordo com Brena, os episódios começaram com mensagens e comentários inadequados e evoluíram para contatos físicos não consentidos. “Meu limite foi quando ele esfregou a minha perna debaixo da minha mesa”, disse.
Em abril de 2024, ela conseguiu gravar um vídeo do momento em que um colega a tocou sem permissão. Brena também relatou que os contatos faziam parte da rotina de trabalho.
Documentos internos mostram que Brena já havia formalizado denúncias no tribunal. Em outubro de 2024, ela registrou que um funcionário ficava “roçando o braço na perna dela”. Em fevereiro do mesmo ano, relatou ser vítima de assédio sexual e moral em reunião do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio.
Após não aceitar o pedido de desculpas de um dos acusados, Brena encerrou o processo na Ouvidoria da Mulher do TCE-AM. Dias depois, foi informada de que seus serviços “não atendiam mais às necessidades da empresa” e foi desligada.
Ela então procurou a polícia e denunciou Isaac Pereira de Santana e Sebastião Marques de Carvalho Neto por importunação sexual. Os processos tramitam em sigilo.
Em nota, o TCE-AM informou que instaurou inquérito administrativo e que não compactua com qualquer forma de assédio. A defesa dos acusados nega as acusações e alega que as alegações são falsas e infundadas.
“Se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão”, alertou a delegada Patrícia Leão.
Brena afirmou que segue em busca de justiça. “Isso é muito revoltante. Eu não vou me calar”.



