segunda-feira, 6 de abril de 2026.
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Farsa na cota de gênero derruba cinco vereadores no interior do Amazonas

Anori (AM) — A regra dos 30% de candidaturas femininas não é mera formalidade. A Justiça Eleitoral do Amazonas mostrou na prática o que acontece quando um partido tenta burlar a lei com “candidaturas laranjas” ou preenchimento inadequado de vagas.

O alvo foi o União Brasil em Anori, município a 278 km de Manaus. O partido inscreveu 12 nomes para a Câmara Municipal em 2024: oito homens e quatro mulheres. A conta parecia fechar — 33% de participação feminina, acima do mínimo exigido de 30%.

O problema veio depois: uma das quatro candidatas, Roberta dos Santos Melo, teve o registro barrado por analfabetismo (condição que impede o candidato a vereador, segundo a legislação eleitoral). Restaram três mulheres na chapa. Percentual final: 25%.

A legislação dá um prazo de 20 dias antes da eleição para substituir a candidata ou readequar a chapa. O União Brasil não fez nenhum dos dois. Pior: o Ministério Público Eleitoral constatou que Roberta não recebeu dinheiro de campanha nem fez atos de rua — indício clássico de candidatura fictícia, aquela que só serve para cumprir tabela.

O que a Justiça decidiu

O juiz Edson Rosas Neto, da 33ª Zona Eleitoral, foi direto: houve fraude à cota de gênero. E a consequência, prevista na jurisprudência do TSE, é severa — cassa-se todos os vereadores eleitos pelo partido naquele pleito proporcional.

Foram cassados:

  • Vadernilson Matos Silva

  • Luiz Carlos Pereira

  • Josely Moraes Damião

  • João Tomé Pereira

  • Elton Gonçalves Lima

Além da perda dos mandatos:

  • Todos os votos do União Brasil foram anulados.

  • O quociente eleitoral e o quociente partidário da eleição serão recalculados — o que pode redistribuir as vagas para outros partidos.

  • O presidente do diretório municipal, Luiz Carlos Pereira da Costa, pegou oito anos de inelegibilidade.

Por que isso importa

Casos assim deixam de ser raros. O Tribunal Superior Eleitoral tem reiterado que a cota de gênero não é uma meta decorativa — é uma política afirmativa. Quando um partido a descumpre de forma consciente ou negligente, arrisca perder tudo o que conquistou na urna.

Em Anori, o prejuízo político é total para o União Brasil: sai do jogo com a chapa anulada e seu principal dirigente local fora da política por oito anos.