Estudante é vítima de agressões e injúrias raciais no Parque 10

Acusados da agressão estavam em festa na casa de ex-comandante dos Bombeiros, no Residencial Jardim Sakura ─ Imagem: Divulgação

A sargento do Corpo de Bombeiros Marcele Andrade Oliveira, a sua irmã Nardelle Andrade Neves, Maurício Rodrigues de Matos e Rosângela Cunha Mota estão sendo acusados de terem agredido com chutes, tapas, puxadas de cabelo e proferir injúrias raciais contra a estudante universitária Dayse de Oliveira Brilhante e a mãe dela, Letícia Andrade de Oliveira Brilhante,  que foi tentar ajudar a filha. Câmeras de segurança do condomínio registraram a violência e  como agiram os agressores.

O alvo era Dayse , mas as agressões sobraram para quem foi foi socorrê-la: a mãe Letícia e também o síndico Milton Cândido. A estudante teve ferimentos em uma das mãos e hematomas pelo corpo, inclusive no rosto. O ato foi classificado pela polícia como covarde e de extrema violência. Veja o vídeo:

O caso está registrado no 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde a estudante contou que na quarta-feira passada (25) estava passeando com seu cachorro na rua Kobe, conjunto residencial Jardim Sakura, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus, por volta das 2h da madrugada.

De acordo com a estudante, quando passava na frente da casa de Marcele, que é esposa do coronel reformado e ex-comandante do Corpo de Bombeiros Fernando Pires Júnior – onde estava acontecendo uma festa junina com várias pessoas –  Dayse viu que Marcele estava lhe filmando com o celular.

A estudante disse que procurou saber porque a sargento estava fazendo aquilo e disse que não queria que ela fizesse a sua imagem, exigindo que ela parasse.  Porém a mulher, Nardelle e Rosangela passaram  a agredí-la com palavrões. Foi quando, segundo a estudante, apareceu Maurício, que também passou a lhe dirigir agressões racistas. “Ele me chamou de ‘preta’, ‘essa negra’, se referindo à cor da minha pele, ‘puta’, ‘vagabunda’ e ‘preta que sempre anda por aqui'”, contou a universitária.

Conforme Deise, encerrada a discussão, ela já estava voltando para a sua casa quando foi surpreendida pelo grupo com tapas, chutes e puxões de cabelo. Maurício bateu com a sua blusa no rosto da vítima, causando arranhões. A estudante disse ainda que tentou correr e pedir socorro na portaria do condomínio.

“O segurança veio me ajudar mas não conseguiu, em seguida apareceu o seu Milton, mas também foi agredido por Maurício”, contou. Foi quando ela conseguiu ir para a sua casa.

Conforme Letícia, as vítimas chamaram a polícia, que apareceu com quatro viaturas. Ao ver a polícia chegando, o coronel Fernando, que naquele momento estava vestido só de calça jeans e descalço, entrou em casa e saiu vestido em um paletó se apresentou aos policiais como coronel e exigiu continência. As vítimas afirmam que os policiais disseram se tratar de um situação complicada por envolver um coronel. O ex-comandante disse aos militares que Deise invadiu a sua festa e chamou seus convidados de traficantes. Os policiais foram embora e as vítimas foram para a delegacia e fizeram Boletim de Ocorrência e exame de corpo de delito.

A reportagem tentou falar com o ex-comandante Fernando Pires, mas ele não atendeu o telefone e também não respondeu às mensagens deixadas em seu WhatsApp.

Dayse é filha do coronel da Polícia Militar Disney Brilhante. Ele disse que a filha está morando  há dois meses no condomínio e que a mesma é bolsista da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e estava há mais de um ano estudando em Portugal.

FONTE: ACRÍTICA

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