Cientistas analisam se variante mais transmissível da Covid-19 circula no AM

Variante B.1.1.7 já foi identificada em dois pacientes em São Paulo ─ Foto: Divulgação

A variante do novo coronavírus encontrada pela primeira vez no Reino Unido tem se espalhado pelo mundo. No dia 31 de dezembro do ano passado, pesquisadores da Diagnósticos da América S.A (Dasa) identificaram a variante, denominada de B.1.1.7, em dois pacientes em São Paulo. A mutação não é mais letal que as outras variantes dominantes, porém pode ser mais transmissível. Apesar de no Amazonas circular 11 linhagens da Sars-CoV-2 atualmente, os pesquisadores ainda não identificaram a presença da nova variante.

Segundo o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, o instituto realiza o sequenciamento da Sars-CoV-2 no Amazonas todos os meses.

“A variante do Reino Unido não foi detectada no Amazonas até o momento. Nós temos 148 genomas sequenciados de todos os meses, de março até novembro, de 25 municípios. Estamos preparando dezembro”, contou o pesquisador.

Apesar do termo “cepa” ter se popularizado para definir essa ‘novidade’ no vírus, o pesquisador aconselha que o termo mais correto seria “linhagem”.

“Eu usaria o termo variante. De uma maneira simplificada seria um grupo de amostras dentro de uma linhagem que tem características próprias. Provavelmente serão reclassificadas como uma nova linhagem, mas isso está em revisão. Surgem a partir das mutações que o vírus acumula ao longo do tempo. Quanto mais pessoas infectadas, mais mutações e mais linhagens”, descreveu Naveca.

Linhagens presentes no AM

As 11 linhagens do vírus presente no Amazonas atualmente são: A.2, B.1, B.1.1, B.1.1.143, B.1.1.253, B.1.1.28, B.1.1.33, B.1.111, B.1.179, B.1.35 e B.1.5. Por conta do alto número de variantes, muitos amazonenses temem que o vírus Sars-Cov possa mudar do 2 para o 3 e ser ainda mais letal. Entretanto, Naveca esclarece que não é algo tão fácil de acontecer.

“Não é assim que acontece. Para que surja o 3, provavelmente haverá um novo evento de salto de espécies para o ser humano, onde esse novo vírus será muito diferente do ponto de vista genético, ao ponto de não ser reconhecido pelo sistema imune de alguém que se infectou com o outro. Foi assim com o 1 e o 2”, esclareceu o pesquisador.

Felipe Naveca acrescenta ainda que dois eventos são necessários para que causem mudanças no vírus para ele se tornar um novo coronavírus.

“O surgimento de um vírus assim acontece quando alguns eventos se combinam: é preciso um animal silvestre infectado com um vírus mutante entre em contato com um ser humano e esse vírus seja capaz de infectar o ser humano; esse vírus precisa ser capaz de ser transmitido de maneira sustentável entre humanos. Quando isso acontece temos um evento de emergência viral de potencial epidêmico”, detalhou Naveca.

Pesquisa no Amazonas

O sequenciamento genético do novo coronavírus no Amazonas é realizado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), e a Rede Genômica de Vigilância em Saúde, patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Além disso, o grupo de pesquisa também recebe recursos federais da FioCruz e CNPq.

“Temos um grupo de pesquisa que está trabalhando com essa vigilância há algum tempo a exemplo de outras doenças importantes que circulam como as arboviroses e isso tem avançado no Amazonas com as parcerias principalmente com a FVS. Normalmente bimensalmente, como falei, temos 148 genomas sequenciados entre março e novembro. Dezembro está em andamento”, concluiu Felipe Naveca.

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