Cheia do Rio Negro vai invadir área atingida pelo incêndio em Educandos

Incêndio consumiu aproximadamente 600 casas da área conhecida como ‘Bodozal’. Foto: Winnetou Almeida

Com o início da subida das águas do Rio Negro, os moradores da área atingida pelo incêndio de 17 de dezembro no bairro de Educandos, localizado na Zona Sul da capital, agora têm uma preocupação a mais. O trecho, que já é bastante degradado e constante alvo de mutirões de limpeza, deve ficar mais poluído com o que sobrou do sinistro.

Sem previsão para o resultado final do laudo pericial sobre as causas do fogo que consumiu aproximadamente 600 casas, as pessoas que vivem na bacia de Educandos se dizem sem expectativas de moradias dignas. Conforme avaliação da Prefeitura de Manaus, o desfecho do inquérito deve sair, ainda antes que o rio Negro cubra a parte atingida.

A aposentada Maria Antônia de Sousa, 62, tem o rio Negro como quintal há mais de uma década e relata que já pensou um dia em sair dali, entretanto, com o passar do tempo, ela se acostumou com o ritmo das águas, assim como com a sujeira batendo na soleira da porta.

“Essas garrafas e as sacolas de lixo, o pessoal mesmo que joga. Aí quando enche o rio, vem tudo, já até acostumei. Às vezes aparece bicho também. Antes eu até pensava que um dia fosse sair daqui, só que querem tirar a gente daqui e pagar um auxílio-aluguel que não dá para alugar um local melhor. É melhor ficar aqui mesmo. A Defesa Civil sempre vem nesse período, eles distribuem madeira para consertar as pontes e onde precisa”, contou a idosa.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Sérgio Bringel explica que se o solo do local que queimou estiver compactado, dificilmente pode ocorrer infiltração no lençol freático.

“Por outro lado, com essa chuva, os resíduos resultantes da queima vão para o igarapé e neste caso, nós vamos ter problema com a água, por conta da entrada desses resíduos de madeira, telhas, entre outras coisas. Isso vai para o leito do igarapé. Vai haver infiltração dessa água no solo, é claro, mas tudo depende da situação que o solo se encontra no momento”, enfatiza Bringel.

Por A CRÍTICA

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