quinta-feira, 2 de abril de 2026.
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Cheia de 2026 deve superar cota de inundação em Manaus e Manacapuru

MANAUS (AM) –  A enchente que se anuncia para os próximos meses no Amazonas já tem números e direção definidos. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou, nesta terça-feira (31), o primeiro balanço sobre o comportamento dos principais rios do estado durante o período de cheia de 2026. O cenário desenhado pelo órgão aponta para dois polos distintos: enquanto Manaus e Manacapuru devem enfrentar águas acima das cotas de inundação, cidades como Itacoatiara e Parintins apresentam risco baixo de transbordamentos.

O alerta chega com 75 dias de antecedência do pico esperado — um intervalo considerado crucial para que Defesas Civis, governos e comunidades ribeirinhas possam planejar ações de prevenção e mitigação.

O que dizem os números

As projeções do SGB são baseadas em modelos estatísticos que combinam dados históricos, comportamento recente dos rios e condições climáticas. Para Manaus, a previsão é que o rio Negro atinja cerca de 28,30 metros — bem acima da cota de inundação de 27,50 metros. A probabilidade de que esse limite seja ultrapassado é de 92%. Já a chance de se chegar à cota de inundação severa (29 metros) é de 12%, enquanto o risco de bater o recorde histórico de 30,02 metros (registrado em 2021) é de apenas 1%.

Em Manacapuru, a situação é ainda mais crítica em termos de probabilidade. O rio Solimões deve alcançar cerca de 19,40 metros, e a chance de superar a cota de inundação (18,20 metros) é de 98%. Para a cota severa (19,60 metros), a probabilidade é de 37%, com risco praticamente nulo de repetir o recorde de 20,86 metros.

Já em Itacoatiara, o rio Amazonas pode atingir 13,90 metros, com apenas 39% de chance de passar dos 14 metros (cota de inundação). Em Parintins, o nível previsto é de 8,16 metros, com 24% de probabilidade de ultrapassar os 8,43 metros. Nos dois municípios, as chances de inundação severa são inferiores a 1%.

Um ciclo de transição climática

Apesar das previsões elevadas para Manaus e Manacapuru, o pesquisador do SGB André Martinelli classifica a cheia deste ano como “dentro da normalidade”. Segundo ele, o ciclo 2025/2026 tem sido marcado por forte variabilidade. No início, o fenômeno La Niña elevou os níveis para o limite superior da faixa normal. A partir de janeiro, houve uma transição para a neutralidade ENOS — período em que o Oceano Pacífico não sofre influência dominante de El Niño ou La Niña —, trazendo os níveis para valores próximos da média histórica.

“O ciclo 2025/2026 tem mostrado forte variabilidade, no início do processo houve a influência do La Niña, que refletiu em níveis no limite superior da faixa de normalidade. A partir de janeiro de 2026 iniciou-se uma transição para a neutralidade ENOS, trazendo os níveis para valores muito próximos da média nas principais estações monitoradas”, explicou Martinelli.

Acompanhamento e próximos passos

Os dados atualizados sobre os níveis dos rios podem ser acompanhados em tempo real pela plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE). O SGB deve divulgar novos boletins nos dias 30 de abril e 29 de maio, ampliando o horizonte de previsão à medida que o pico da cheia se aproxima.

Para as Defesas Civis, o alerta serve como um guia para ações preventivas — desde a distribuição de recursos até a mobilização de comunidades em áreas vulneráveis. Em Manaus e Manacapuru, onde as chances de inundação são altas, a atenção deve ser redobrada.