sexta-feira, 3 de abril de 2026.
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Artemis II deixa órbita da Terra e segue para a Lua

A humanidade voltou a colocar humanos a caminho da Lua. Na noite desta quinta-feira (2), a cápsula Orion, da missão Artemis II, executou com sucesso a manobra de injeção translunar — a queima de motor que tirou a nave da órbita da Terra e a lançou em direção ao espaço profundo. A última vez que isso aconteceu foi em 1972, com a missão Apollo 17.

A manobra foi autorizada pelos controladores de voo do Centro Espacial Johnson, em Houston, somente após a confirmação de que todos os sistemas da cápsula funcionavam dentro do esperado. A equipe de gerenciamento da missão já havia dado sinal verde, mas a decisão final coube aos técnicos em solo. Segundo a Nasa, esse foi o último grande acionamento de motor de toda a missão.

A queima colocou a Orion na chamada trajetória de retorno livre — um caminho que usa a gravidade lunar para levar a nave até o satélite e, em seguida, trazê-la de volta à Terra. “A manobra de injeção translunar foi concluída com sucesso. A tripulação da Artemis II está oficialmente a caminho da Lua”, declarou o chefe da Nasa, Jared Isaacman.

Logo após a operação, os astronautas se comunicaram com a base. “Estamos nos sentindo muito bem aqui, a caminho da Lua”, disse o canadense Jeremy Hansen, primeiro não americano a participar de uma missão desse tipo. A bordo estão também os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch.

A nave já se encontra a cerca de 1.600 km da Terra. Durante os próximos dias, a tripulação testará sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação — todos essenciais para as missões futuras que, de fato, pousarão na superfície lunar. Este é o primeiro voo tripulado além da órbita terrestre em mais de cinco décadas.

A Artemis II não prevê pouso na Lua. Seu objetivo é testar os sistemas da Orion em um voo de aproximadamente dez dias, que dará a volta no satélite antes de retornar à Terra. No final do dia 5 de abril, a nave entrará na esfera de influência gravitacional da Lua — o ponto em que a atração lunar passa a ser maior do que a terrestre. O ponto alto da missão acontecerá no dia 6 de abril, quando a Orion passará a poucos milhares de quilômetros da superfície, e os astronautas poderão observar o satélite pelas janelas. Nesse momento, a nave cruzará o lado oculto da Lua e ficará sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos.

Após o sobrevoo, a missão entrará na fase de retorno. A própria gravidade da Lua ajudará a trazer a nave de volta. O encerramento está previsto para 10 de abril, quando a cápsula mergulhará na atmosfera terrestre em altíssima velocidade e pousará no Oceano Pacífico, onde será resgatada por equipes da Nasa.

A Artemis II é o segundo voo do programa que leva o nome da irmã gêmea de Apolo na mitologia grega. A Artemis I, realizada em 2022, foi um teste não tripulado que orbitou a Lua com sucesso. Agora, com astronautas a bordo, a Nasa dá um passo essencial antes da Artemis III, missão que pretende levar humanos de volta à superfície lunar — algo que não ocorre há mais de meio século.

A expectativa agora é que a Orion siga seu curso sem intercorrências. A bordo, os quatro astronautas vivem o momento mais aguardado de suas carreiras. Do alto da cápsula, a Terra já começa a diminuir de tamanho. E a Lua, cada vez mais próxima, os espera.