quarta-feira, 18 de março de 2026.
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Argentina avalia enviar tropas ao Oriente Médio

ARGENTINA — O governo do presidente Javier Milei avalia a possibilidade de mobilizar forças militares argentinas para o Oriente Médio, em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A informação foi obtida junto a fontes próximas à administração.

De acordo com os relatos, qualquer envio de tropas estaria condicionado a uma solicitação formal por parte de Washington ou de Israel, principais aliados internacionais do atual governo argentino. Até o momento, não há pedido oficial, e a medida não se encontra em fase ativa de implementação.

A eventual decisão representaria um aprofundamento do alinhamento geopolítico adotado por Milei desde o início de seu mandato. O presidente tem demonstrado publicamente sua proximidade com os Estados Unidos e com o Estado israelense, classificando-se como um dos líderes mais afinados com Israel no cenário global recente.

Especialistas apontam que essa postura sinaliza uma ruptura com a tradição diplomática argentina de neutralidade em conflitos internacionais, aproximando Buenos Aires de um papel mais ativo em alianças estratégicas ocidentais. A discussão ocorre em um contexto de dificuldades dos aliados dos EUA para formar uma coalizão mais ampla, em meio a críticas sobre a falta de clareza estratégica na condução da guerra.

Um eventual engajamento argentino remeteria a precedentes históricos, como a participação do país na Guerra do Golfo (1990–1991). Na ocasião, o então presidente Carlos Menem, por meio de decreto e sem debate no Congresso, enviou o contratorpedeiro ARA Almirante Brown e a corveta ARA Spiro para integrar a coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O site Poder Naval observa que, caso a intenção seja enviar navios de guerra novamente — especialmente após apelos de Donald Trump para que aliados componham uma força naval para escolta no Estreito de Ormuz —, a Armada Argentina precisaria comprovar a eficácia das modernizações pontuais realizadas em suas fragatas mais equipadas. As embarcações teriam de demonstrar capacidade de realizar múltiplos engajamentos simultâneos contra ameaças como mísseis antinavio, drones aéreos e de superfície, além de lanchas suicidas, e comprovar a aptidão de seus sonares para operar em ambientes com contramedidas de minagem.