
MANICORÉ (AM) — Moradores do distrito de Santo Antônio do Matupi, conhecido como Km 180, no município de Manicoré, sul do Amazonas, denunciam uma série de golpes envolvendo falsas negociações de motocicletas, celulares, empréstimos e trocas de cheques. Segundo relatos de vítimas, mais de 30 pessoas já teriam sido lesadas por uma mulher identificada como Andressa Andrade, comerciante conhecida na comunidade.
A denúncia ganhou repercussão após a empresária e contadora Cláudia Anadão, moradora da região há 15 anos, publicar um vídeo nas redes sociais relatando que perdeu dinheiro após negociar a compra de uma motocicleta que nunca foi entregue.
“Decidi não me calar. Estou me expondo porque não quero que outras pessoas passem pelo que eu passei”, afirmou.
Segundo Cláudia, a suspeita frequentava regularmente seu escritório de contabilidade como cliente e teria conquistado a confiança da família ao longo dos últimos meses. A negociação da moto começou após a mulher oferecer veículos supostamente vindos de Porto Velho (RO).
Vítima afirma que negociação nunca foi concluída
Cláudia relatou que desconfiou inicialmente da proposta, mas acabou acreditando na legalidade do negócio devido à relação de confiança construída com a suspeita.
“Ela tinha resposta para tudo. Falava que a negociação era correta, dizia até que os vendedores eram religiosos e pessoas de confiança”, contou.
Parte do dinheiro teria sido adiantada com a promessa de que a motocicleta chegaria em até uma semana. No entanto, após cerca de 30 dias sem receber o veículo, a empresária decidiu investigar a situação e descobriu outras pessoas que alegam ter sido vítimas de golpes semelhantes.
Nova vítima relata prejuízo após venda de ar-condicionado
Outra moradora, Fernanda Siqueira, também decidiu se manifestar após assistir ao vídeo publicado por Cláudia. Segundo ela, o prejuízo começou após vender um ar-condicionado para Andressa Andrade por R$ 2,5 mil antes de deixar o distrito.
A vítima afirmou que concedeu prazo de 30 dias para o pagamento, mas, após o vencimento, recebeu apenas comprovantes bancários que posteriormente teriam se mostrado sem efetivação.
“Ela mandou um comprovante de TED e disse que o dinheiro cairia na segunda-feira. Depois disso, começou a apresentar várias justificativas diferentes para o atraso”, relatou.
Ainda segundo a denúncia, a mulher também teria pedido um empréstimo adicional de R$ 1,5 mil, prometendo devolver valor superior dias depois. O dinheiro, porém, nunca teria sido devolvido.
A vítima afirma possuir registros das conversas, áudios, comprovantes bancários e mensagens trocadas durante as negociações.
“Resolvi me manifestar para alertar outras pessoas. Muita gente pode acabar acreditando nela pela forma como conversa e conquista confiança”, disse.
Cláudia informou que já está movendo uma ação judicial contra a suspeita e pediu para que outras vítimas formalizem denúncia na delegacia.
“Quanto mais pessoas procurarem a Polícia Civil, mais forte fica o processo”, declarou.
No vídeo divulgado nas redes sociais, a empresária classificou o caso como um “alerta de utilidade pública” e pediu que os moradores compartilhem as informações para evitar novos prejuízos.
“Nosso distrito é pequeno, as pessoas confiam umas nas outras. Não podemos permitir que esse tipo de situação continue acontecendo”, afirmou.
Comunidade cobra investigação
O caso gerou repercussão entre moradores do Km 180, comunidade localizada às margens da BR-230, a Transamazônica. A região é conhecida pelo forte vínculo entre os moradores e pela relação de confiança construída ao longo dos anos entre comerciantes e famílias locais.
Moradores relatam preocupação com a possibilidade de novos casos e defendem que as denúncias sejam formalizadas junto à Polícia Civil para investigação.
Segundo as próprias vítimas que procuram a delegacia de Polícia Civil, do distrito de Matupi, já há procedimentos investigatórios oficiais em andamento, de acordo a legislação brasileira pertinente para apurar as mencionadas denúncias.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da pessoa citada nas denúncias.
Reportagem: EDY LIMA


