
BRASÍLIA (DF) — O Senado Federal rejeitou, em votação histórica, a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu na tarde desta quarta-feira (29), com 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Essa é a primeira rejeição de uma indicação para o STF em mais de 132 anos – desde o governo de Floriano Peixoto, no final do século XIX.
Messias, atual Advogado-Geral da União (AGU) e indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi rejeitado apesar de ter sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em votação apertada (16 a 11).
A rejeição reflete tensões políticas profundas no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou oposição aberta à indicação e trabalhou para articulação contra Messias, defendendo publicamente o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
A derrota representa um revés significativo para o governo Lula, especialmente em ano eleitoral, e expõe fragilidades na articulação política do Palácio do Planalto.
Messias, durante seu depoimento na CCJ, destacou sua trajetória como evangélico, defendeu a independência judicial e prometeu diálogo com o Congresso – mas esses argumentos não foram suficientes para convencer a maioria dos senadores.
Especialistas apontam que o resultado sinaliza um equilíbrio de forças entre os Poderes e uma mensagem clara da oposição ao governo.


