
EUA — Ela descreve a sensação como algo “perfurando as orelhas, entrando pelo lado esquerdo”. Instantes depois, veio a dor lancinante na cabeça e a sensação de plenitude que nunca mais desapareceu. O relato da esposa de um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA, vítima de um ataque na Europa, pode ser a descrição mais próxima do que milhares de páginas de relatórios oficiais tentam explicar há dez anos: a Síndrome de Havana.
Uma investigação do programa “60 Minutes”, da CBS, jogou luz sobre o mistério nesta terça-feira (10) ao revelar que militares americanos testaram, em laboratório, uma arma de energia secreta capaz de provocar exatamente os mesmos sintomas descritos por diplomatas e agentes desde 2016. Durante mais de um ano, ratos e ovelhas foram submetidos a pulsos de micro-ondas em instalações militares dos Estados Unidos. Os animais desenvolveram lesões cerebrais idênticas às registradas em seres humanos nos episódios em Cuba, na Europa e até nas proximidades da Casa Branca.
A tecnologia não é exatamente nova. Pesquisas sobre armas de energia eletromagnética remontam à antiga União Soviética. O que surpreende, segundo a apuração, é que os próprios americanos adquiriram um desses dispositivos em 2024 — de uma rede criminosa russa, por US$ 15 milhões, com dinheiro do Departamento de Defesa.
Funciona assim: portátil, silenciosa, a arma dispara pulsos de energia que atravessam paredes e janelas a centenas de metros de distância. Atinge o alvo sem deixar vestígios físicos, mas com efeitos devastadores no cérebro. Dores de cabeça intensas, perda de equilíbrio, zumbidos, sangramentos, problemas cognitivos permanentes.
Apesar das evidências, o governo americano insiste, desde 2023, em classificar como “muito improvável” a hipótese de ataques patrocinados por adversários. Ex-agentes de inteligência têm outra versão: a de que Washington minimizou os casos deliberadamente para evitar um conflito diplomático de proporções imprevisíveis.
Enquanto isso, centenas de vítimas carregam sequelas. A mulher do funcionário do Departamento de Justiça, por exemplo, já passou por múltiplas cirurgias no crânio e nos ouvidos. O som do ataque, ela nunca mais esqueceu.


