Início Economia Gasolina a R$ 3 na Venezuela atrai filas de brasileiros na fronteira

Gasolina a R$ 3 na Venezuela atrai filas de brasileiros na fronteira

PACARAIMA (RR) — Um novo fluxo inesperado surgiu na fronteira de Pacaraima, em Roraima, com o Brasil: motoristas brasileiros, incluindo taxistas e moradores locais, atravessam a divisa para abastecer na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén, onde a gasolina está sendo vendida a R$ 3 por litro. O preço representa um custo 61% menor do que o praticado nos postos brasileiros da fronteira, onde o litro custa R$ 7,80.

A iniciativa é vista como um sinal de tentativa de normalização em meio ao processo de reconstrução do país vizinho, após os recentes eventos que culminaram na captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início de janeiro. As imagens de filas de carros com placa brasileira em um posto da estatal PDVSA contrastam fortemente com o cenário de incerteza que se instalou na região há poucas semanas.

Abastecimento limitado e cálculo em dólar

Apesar do movimento, a oferta ainda é incerta e regulada. Eduardo Oestreicher, presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, confirmou ao g1 que o abastecimento está limitado a 20 litros por veículo. Ele destacou que a precariedade das estradas, que dificulta a chegada dos caminhões-tanque, coloca em dúvida a continuidade do fornecimento.

O taxista brasileiro Adriano Palhares, que trabalha em Pacaraima, explicou que o valor do combustível é calculado em dólar e convertido para o real, resultando no preço fixo de R$ 3. Ele relatou que, após abastecer 18 litros por R$ 54, economizou quase o triplo do que gastaria do lado brasileiro.

Alívio temporário e expectativa na fronteira

Para os profissionais que dependem do carro para trabalhar, como os taxistas, a abertura do posto representa um alívio significativo no orçamento. Outro motorista anônimo entrevistado expressou o sentimento geral: “Ninguém dá garantia que vai ser permanente. Eu vou ficar na expectativa”.

A situação atual, com o posto funcionando normalmente e formando filas, marca um contraste notável com o clima de tensão e apreensão que dominou a área fronteiriça no início do mês, durante e após os ataques americanos.