
Brasília (DF) – A União Europeia selou, nesta semana, a assinatura do aguardado acordo comercial com o Mercosul, estabelecendo a maior zona de livre comércio do planeta. O tratado, negociado durante mais de duas décadas, conecta dois dos maiores blocos econômicos globais e representa um mercado potencial de mais de 700 milhões de pessoas. Para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, a conquista significa a abertura de novas oportunidades comerciais e o fortalecimento de laços diplomáticos com o velho continente.
Contudo, para quem sonha em trabalhar, estudar ou residir na Europa, a realidade permanece inalterada. O acordo comercial não modifica automaticamente as regras de entrada no Espaço Schengen e não cria um visto especial para brasileiros. As fronteiras europeias continuam operando sob as mesmas normas que existiam antes da assinatura.
O que realmente mudou
O avanço do tratado representa um marco na economia mundial ao eliminar tarifas de importação e facilitar o fluxo de produtos entre os dois blocos. Indústrias brasileiras dos setores de agricultura, automotivo e tecnologia devem ser as primeiras a sentir os benefícios nos próximos anos. O acordo também prevê cooperação em áreas como meio ambiente, tecnologia e educação.
Na prática, porém, as autoridades migratórias europeias mantêm suas exigências intactas. O brasileiro que deseja visitar a Europa por até 90 dias, seja a turismo ou negócios, continua isento de visto prévio, mas deve apresentar documentação comprobatória no momento da entrada. Passaporte válido, seguro-viagem, hospedagem reservada e recursos financeiros suficientes são requisitos básicos que podem ser solicitados a qualquer momento.
O impacto nas viagens de negócios
Com o aumento do comércio bilateral, a tendência é de crescimento significativo no fluxo de viajantes a negócios entre Brasil e Europa. Executivos, empreendedores e profissionais liberais deverão circular com mais frequência entre os dois continentes para participar de feiras, reuniões e eventos corporativos.
Esse cenário exige atenção redobrada. Autoridades migratórias tendem a scrutinizar com mais rigor viajantes que declararam propósito turístico, mas apresentam perfil compatível com atividades remuneradas. A regra dos 90 dias dentro de um período de 180 dias continua valendo integralmente, e sua violação pode resultar em deportação, multas e dificuldades para futuras viagens.
O futuro da fronteira digital
A Europa avança rapidamente para um sistema totalmente digitalizado de controle fronteiriço. O EES, sistema de registro de entradas e saídas que coleta dados biométricos dos viajantes, deve começar a operar nos próximos meses, substituindo os tradicionais carimbos de passaporte. Paralelamente, o ETIAS, autorização eletrônica obrigatória para viajantes isentos de visto, está previsto para entrar em funcionamento no final de 2026.
Para o brasileiro, esses cambios significam que o passaporte físico perderá relevância progressivamente. Documentos danificados, com páginas insuficientes ou próximos do vencimento podem gerar transtornos desnecessários. A recomendação é manter sempre um passaporte atualizado e com validade mínima de seis meses além da data da viagem.
O que o viajante precisa saber
Especialistas em imigração alertam: o acordo UE-Mercosul não concede direitos automáticos de trabalho ou residência em território europeu. Cada país do bloco mantém suas próprias regras para vistos de longa duração, Permissões de trabalho e processos de naturalização. Portugal, por exemplo, oferece o visto de aposentadoria e o visto para descendentes de portugueses. A Alemanha tem programas para profissionais qualificados em áreas de carência. A França e a Espanha também mantêm categorias específicas para imigrantes qualificados.
Antes de planejar uma mudança definitiva para a Europa, o brasileiro deve pesquisar as exigências específicas do país de destino, buscar orientação profissional e evitar soluções improvisadas. Entrar na Europa como turista com intenção de trabalhar irregularmente é uma estratégia que raramente dá certo e pode comprometer futuras solicitações de visto.
Planejamento é essencial
O tratado entre União Europeia e Mercosul representa um momento histórico nas relações comerciais internacionais. Seus efeitos econômicos serão sentidos gradualmente ao longo dos próximos anos, beneficiando empresas, exportadores e consumidores de ambos os lados do Atlântico.
Para o viajante brasileiro, porém, o recado é claro: o acordo não elimina barreiras migratórias nem cria atalhos para residir na Europa. O impacto mais imediato será o aumento das viagens a negócios, o que demanda documentação organizada, planejamento adequado e respeito às regras vigentes. Em um continente que avança rapidamente para um modelo de controle fronteiriço digital e integrado, estar bem informado é tão importante quanto ter o passaporte em mãos.


